Bornito de Sousa presidiu hoje a primeira reunião ordinária do Conselho Nacional de Águas, órgão permanente consultivo do titular do poder executivo, que visa assegurar a compatibilização da política de gestão de recursos hídricos com as políticas de ordenamento da orla costeira e promover a participação das comunidades locais na gestão dos recursos hídricos.

Segundo o vice-Presidente angolano, encontrar soluções estruturantes acaba por ser, a prazo, mais económico do que o recurso repetido a soluções de emergência, nas situações de seca que afetam em Angola periodicamente milhares de pessoas.

“Angola possui mais de 77 bacias hidrográficas, das quais 47 principais, 30 secundárias, incluindo as que partilha com outros países, designadamente as cinco bacias hidrográficas internacionais ou transfronteiriças dos rios Cunene, Cuvelai, Cubango/Okavango, Zaire/Congo e Zambeze”, realçou Bornito de Sousa.

Em declarações à imprensa, o secretário de Estado das Águas, Luís Filipe da Silva, disse que as províncias do Cunene, Namibe, Benguela e Huíla se registam problemas de estiagem “com bastante frequência”.

O governante angolano frisou que estão a ser elaborados projetos de caráter estruturante, que vão permitir uma melhor gestão da água, nomeadamente a construção de barragens.

“É um tipo de obra que vai com certeza ser executado em vários cursos de água, temos previsto em várias nossas bacias, na bacia do Cuvelai e no próprio rio Cubango, mas na perspetiva de transferir essa água para outras bacias, no rio Curoca, todas essas bacias nós prevemos a construção de algumas barragens, para justamente fazer a retenção da água em período que há precipitações fortes”, referiu.

No final de janeiro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou a necessidade de 12 milhões de euros para apoiar as populações no sul de Angola, onde mais de 700 mil pessoas estão sem acesso a água potável, devido à seca prolongada.

De acordo com aquela agência das Nações Unidas, o sul de Angola enfrenta uma crise prolongada de malnutrição, decorrente dos “impactos combinados” da crise económica, da falta de chuva e da “deterioração da qualidade dos serviços básicos”.

No seu relatório, consultado pela Lusa, a UNICEF referia que o acesso à água no sul de Angola “permanece limitado”, com dois terços dos pontos de abastecimento não operacionais, nas áreas afetadas, e mais de 700.000 pessoas a precisarem de água potável”.

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