“Os contactos têm sido intensos por parte dos partidos, mas em particular com o CNRT [Congresso Nacional da Reconstrução Timorense], com os potenciais parceiros de uma coligação”, disse à Lusa José Ramos-Horta, que tem dialogado com os principais líderes do país.

Ramos-Horta afirmou que em cima da mesa está uma coligação liderada pelo CNRT com as restantes forças parlamentares mais pequenas e que excluiria o Partido Libertação Popular (PLP), do atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), na oposição.

O ex-chefe de Estado acrescentou nos contactos preliminares alguns dirigentes políticos, especialmente de forças mais pequenas, “insistem que além de uma possível coligação liderada pelo CNRT devia-se também fazer-se esforço para contactar o PLP e a Fretilin”.

O cenário possível é que essas forças políticas “queiram designar algum elemento ou elementos a participarem no Governo, resultando num possível Governo de grande inclusão”, explicou.

“Não necessariamente a Fretilin e o PLP participarem na coligação, mas mais autorizar e designar elementos seus para participar. Isto é a preferência de alguns para mostrar boa vontade e fazer um esforço de todos para que até 2023 o país esteja estabilizado politicamente”, referiu.

Ramos-Horta afastou a possibilidade de a Fretilin, maior partido com assento parlamentar e atualmente na oposição, liderar uma coligação alternativa.

De acordo com o antigo Presidente, o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, com quem Ramos-Horta se encontrou nos últimos dias, “é cauteloso, prefere dialogar com vista a viabilizar alguma nova coligação e contribuir para um consenso em torno de um Orçamento Geral do Estado (OGE) através de diálogo e consultas”, mas “sem se comprometer a aderir a nenhuma forma de coligação”.

“A sua primeira preocupação é contribuir para manter a paz no país. E segundo, pensar em 2023. Mas, entretanto, quer contribuir para viabilizar o Governo”, referiu.

Essencial para esta solução da crise é a questão da nomeação de membros do CNRT para o Governo e que o Presidente de Timor-Leste, Francisco Guterres Lu-Olo, não empossou.

Questionado sobre a possibilidade de alteração de posição de Lu-Olo sobre esta matéria, Ramos-Horta disse que é essencial passos de parte a parte.

“Creio que se houver algum gesto de parte a parte, da coligação em conversarem sobre alguns nomes, talvez isso permitisse ao Presidente sentir-se motivado a rever algumas partes da sua posição”, afirmou.

Em causa está encontrar uma solução para a crise política que Timor-Leste vive há vários anos, agravada com o ‘chumbo’ da proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2020.

Ramos-Horta tem mantido nos últimos dias vários contactos, em separado, com os principais líderes do país, incluindo Lu-Olo, Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak e Mari Alkatiri.

A possível coligação liderada pelo CNRT poderá integrar o Partido Democrático (PD), o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), também da atual coligação do Governo, e os três deputados das forças mais pequenas no parlamento, Partido Unidade e Desenvolvimento Democrático (um deputado), Frente Mudança (um) e União Democrática Timorense (um).

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