O espetáculo, que foi uma das principais atrações da Avenida Paulista, contou ainda com a participação de vários movimentos artísticos e culturais. Com milhares de transeuntes a assistirem a performance, num dos mais agitados centros económicos de São Paulo, o coreógrafo angolano aproveitou a ocasião para dar a conhecer melhor os traços típicos da cultura nacional.

A atuação, que aconteceu o dia todo naquele espaço, teve um dos pontos altos no período da tarde, quando o coreógrafo fez uma atuação mais centralizada na imagem figurativa do poder feminino da mulher angolana, assente na cultura lunda.

A máscara, de aproximadamente um metro e meio, e os adornos despertaram a curiosidade até dos menos atentos. O momento criou várias reações aos transeuntes. Apesar de o calor que se fazia sentir não ter ajudado muito, o artista estava determinado e continuou a mostrar os traços identitários da cultura nacional.

Assim como diversos centros culturais, a Avenida Paulista fechou por horas ao trânsito, para dar espaço à criatividade artística e desportiva. A quantidade de performances realizadas, no âmbito do Fescala, atraíram turistas de diferentes pontos da cidade. Crianças, jovens e adultos mostraram-se curiosos. Os mais destemidos procuravam aumentar os conhecimentos sobre a cultura angolana.

A exibição do coreógrafo esteve inserida no intercâmbio entre o Coletivo Raízes e Globo Dikulo, como forma de criar uma plataforma para promoção da diversidade cultural e da unidade africana. A pista exclusiva da Avenida Paulista, criada, em 2015, para albergar exclusivamente atividades culturais, tem sido uma das principais atrações turísticas da cidade de São Paulo, Brasil. A via, que é totalmente interditada ao tráfego rodoviário, das 10h00 até às 18h00, tem dado lugar a diversas formas artísticas de imaginação.

Naquele espaço, aos finais de semana, a criação artística é ilimitada e qualquer manifestação tem espaço e um público. Este ano, o cenário foi “invadido” por performances ousadas, uma das quais do angolano, que, mesmo recorrendo a uma música improvisada, por questões técnicas, esteve entre os destaques do dia.

A “festa”

O festival, que decorre até o dia 15, cria uma “ponte” entre os participantes, como forma de celebrar o 20 de Novembro, data consagrada à Consciência Negra no Brasil.

Os organizadores pretendem realizar um festival de arte capaz de criar factos culturais mais adequados, para promover a história e tradições africanas, por meio das artes, que são, também, uma oportunidade de demonstrar o potencial de muito dos artistas de África e dos afrodescendentes.

Fazem parte do festival criadores de Angola, Moçambique, Senegal, Níger, República Democrática do Congo, Nigéria, Guiné-Bissau, Etiópia, Ghana, São Tomé e Príncipe, África do Sul, Benin e Cabo Verde, bem como do Haiti, Cuba e Brasil. O primeiro dia ficou marcado pela realização de exposições, performances musicais e de dança.

Os homenageados deste ano, agraciados com o “Troféu África & Diáspora”, são o grupo de dança tradicional Bismas das Acácias, de Benguela, o poeta angolano Carlos Pedro, o escritor e professor nigeriano Ikechukwu Sunday Nkeechi e o estilista senegalês Cheikh Gueye Seck.

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