Alpha Condé, a dias de fazer 82 anos, nada revela sobre os seus projetos políticos e diz que o seu futuro ao partido pertence.

O seu mandato presidencial termina no final do ano e a atual Constituição impede-o de voltar a concorrer.

O novo Texto Fundamental proposto mantém a mesma limitação que a atual Constituição a dois mandatos, ainda que aumente de cinco para seis anos a sua duração.

A oposição guineense acredita que Alpha Condé tentará forçar a que o “jogo recomece do zero”.

Muitos chefes de Estado africanos tentaram – e muitas vezes conseguiram – manter-se no poder, alterando a Constituição.

A agência Lusa apresenta uma cronologia das várias tentativas nos diversos países africanos:

Tentativas bem sucedidas:

Angola
A Constituição angolana foi alterada três vezes desde a independência do país em 1975. A última alteração constitucional, aprovada em 2010, limitou o número de mandatos presidenciais a dois termos de cinco anos, mas permitiu a José Eduardo dos Santos, na altura já com 30 anos de poder, voltar a candidatar-se em 2012 e dava-lhe a possibilidade de se manter na presidência do país até 2022. A nova Constituição aboliu a eleição direta do Presidente, que passou a ser o líder do partido mais votado em eleições gerais. Em 2017, José Eduardo dos Santos decidiu não liderar o MPLA às legislativas desse ano.

Guiné Equatorial
Um referendo constitucional em novembro de 2011 permitiu ao Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo (no poder desde 1979) candidatar-se a, pelo menos, mais dois mandatos de sete anos, assim como criou o cargo de vice-presidente, ocupado pelo seu filho, Teodoro Nguema Obiang Mangue, consagrando a sucessão dinástica de Obiang.

Comoros
Um referendo constitucional em 2018 reforçou os poderes de Azali Assoumani, permitindo que a sua candidatura a dois mandatos em vez de um. Assoumani foi reeleito em 2019, numa votação marcada por fraudes generalizadas.

Ruanda
Uma reforma constitucional adotada no final de 2015 permitiu que Paul Kagame concorresse a um novo mandato em 2017 e abriu o caminho para que, potencialmente, possa liderar o país até 2034.

Congo Brazzaville
Uma nova Constituição aprovada por referendo em 2015 permitiu a Denis Sassou Nguesso concorrer a um terceiro mandato. Os constrangimentos relativos ao limite de idade e número de mandatos foram retirados. Sassou Nguesso foi reeleito em 2016.

Burundi
A candidatura de Pierre Nkurunziza a um terceiro mandato mergulhou o país numa crise grave em 2015 (pelo menos 1.200 mortes). Nkurunziza, no poder desde 2005, anunciou em 2018 que não se candidataria a ser seu sucessor nas eleições previstas para este ano, embora a nova Constituição aprovada por referendo lhe permita fazê-lo.

Zimbabué
Uma nova Constituição adotada em 2013 permitiu que Robert Mugabe voltasse a candidatar-se à presidência zimbabueana no mesmo ano. Quando foi forçado a demitir-se, em 2017, era o chefe de Estado africano mais longevo, com 37 anos de poder. Mugabe morreu em 2019.

Djibuti
O Parlamento, totalmente dominado por Ismael Omar Guelleh, adotou em 2010 uma revisão constitucional que elimina qualquer limitação ao número de mandatos presidenciais. No poder desde 1999, Omar Guelleh concorreu a novos mandatos em 2011 e 2016.

Argélia
O parlamento adotou uma emenda constitucional em 2008, que elimina o limite de dois mandatos presidenciais. Abdelaziz Bouteflika, no poder desde 1999, foi reeleito em 2009 e novamente em 2014. Bouteflika foi obrigado a renunciar em abril de 2019.

Camarões
Uma revisão constitucional em 2008 aboliu o limite do mandato presidencial. Paul Biya, no poder desde 1982, foi reeleito para um 7.º mandato em 2018.

Uganda
Uma reforma da Constituição em 2005 removeu todas as restrições sobre o número de mandatos do chefe de Estado. Em 2019, o Supremo Tribunal validou a abolição do limite de idade para a presidência, permitindo que Yoweri Museveni, no poder desde 1986, se candidate à reeleição em 2021.

Chade
Uma emenda constitucional adotada através de um referendo controverso em 2005 removeu o limite de dois mandatos presidenciais de cinco anos. Idriss Deby Itno, no poder desde 1990, foi reeleito em 2016 para um quinto mandato.

Togo
Uma emenda à Constituição no final de 2002 removeu o limite de dois mandatos, permitindo que Gnassingbé Eyadéma, no poder desde 1967, concorresse a um novo mandato em 2003. O filho de Eyadéma, Faure Gnassingbé, que o sucedeu após sua morte em 2005, foi reeleito em eleições contestadas pela oposição.

Tentativas falhadas

Burkina Faso
O desejo de Blaise Compaoré de emendar a Constituição para concorrer a um novo mandato após mais de 27 anos no poder está na raiz da revolta popular que o forçou ao exílio em 2014.

Zâmbia
Frederick Chiluba foi forçado a demitir-se em 2001 sob pressão popular.

Maláui
O Parlamento opôs-se em 2002 à candidatura de Bakili Muluzi a um terceiro mandato em 2004.

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