O secretário de Estado dos Petróleos de Angola disse hoje que a aquisição da participação da brasileira Oi na Unitel pela petrolífera estatal Sonangol visa melhorar a empresa e gerar mais-valias numa futura alienação.

“A aquisição de ações na Unitel deveu-se a uma preocupação que a empresa [Sonangol] tem com a melhoria da própria empresa”, afirmou José Alexandre Barroso, sublinhando que a operadora de telecomunicações, onde Isabel dos Santos detém 25%, “é muito importante para Angola”.

A Sonangol que detinha já uma participação importante na operadora (25%) anunciou na sexta-feira que passou a controlar 50% da Unitel, através da aquisição da PT Ventures, uma empresa até então detida indiretamente pela brasileira Oi.

“Com a aquisição de mais ações, [a Sonangol] vai poder influenciar os programas e a gestão da empresa com o fim último de melhorar os seus processos e os seus resultados para que quando chegar altura de aliená-la seja feita com mais-valia”, afirmou o governante, num balanço sobre a produção petrolífera em 2019.

Questionado sobre as repercussões dos esquemas financeiros de Isabel dos Santos expostos através da investigação conhecida como `Luanda Leaks` para a petrolífera angolana, José Alexandre Barroso declarou que a atividade da Sonangol “continua estável” e a empresa vai estar “focada nos programas que traçou”.

Os programas estão ligados à reestruturação e melhoria dos processos “para transformar [a Sonangol] realmente numa empresa virada para a indústria do petróleo” e à alienação dos ativos marginais à atividade da empresa.

“Estamos na medida do possível a tentar seguir o programa já aprovado”, salientou.

Sobre os resultados da produção e comercialização petrolífera em 2019, o secretário de Estado considerou que ficaram em linha com as previsões, notando que há boas perspetivas para este ano.

“Quando olhamos para as condições que determinaram uma baixa de preço do crude nos mercados internacionais, vimos que há uma certa estabilidade agora no início do ano. As negociações comerciais entre os EUA e China parecem ter retomado um bom caminho e acreditamos que haverá estabilização”, realçou.

Em 2019, a produção rondou um milhão e 400 mil barris de petróleo por dia.

“Esperávamos um pouco mais para este ano”, mas o “grande desafio” é estabelecer programas e projetos que permitam “estabilizar a produção” e “conseguir vender todo o petróleo” que o país “tem para vender”, frisou José Alexandre Barroso.

Quanto ao impacto do novo coronavírus com origem na China sobre a indústria do petróleo, o secretário de Estado afirmou que o surto afeta “toda a vida a nível mundial”, pelo que “todos os países estão a tomar as devidas precauções”.

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