“A diversificação da economia é um grande desafio. Temos a lição de outros países do mundo e sabemos que, sem investimentos noutros setores, o grande risco é acabar com uma economia que esteja só virada para o setor do gás”, disse o diretor do BAD em Moçambique, Pietro Toigo.

Aquele responsável falava à imprensa momentos após uma reunião com o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Agostinho Vuma, em Maputo.

Para Pietro Toigo, o novo Governo em Moçambique deve apostar na aceleração da produção agrária e construção de infraestruturas, dois setores fundamentais para o desenvolvimento do país.

“É muito importante que Moçambique chegue a 2030 com uma economia diversificada e um setor privado mais amplo e capacitado”, observou.

O diretor do BAD em Moçambique destaca que na última década o país investiu em infraestruturas públicas, quando comparado com outros países africanos, mas faltou a coordenação multissetorial, o que garantiria um “desenvolvimento organizado” das comunidades nas zonas rurais, onde vive a maior parte dos moçambicanos.

“É preciso planificar os grandes investimentos. Nós esperamos que o Plano Quinquenal do Governo possa dar este quadro abrangente para de verdade existir sincronia, garantindo o desenvolvimento, principalmente na zona rural”, acrescentou.

O novo Governo em Moçambique tomou posse em janeiro, saído das eleições de 15 de outubro do ano passado, num escrutínio em que a Frente de Libertação de Moçambique ( Frelimo), partido no poder desde a independência, e o seu candidato (Filipe Nyusi) venceram com larga vantagem.

Os megaprojetos de exploração de gás vão arrancar em 2022 e devem colocar Moçambique entre os maiores produtores mundiais nos dez anos seguintes, prevendo o Fundo Monetário Internacional (FMI) que a economia do país possa chegar a crescer mais de 10% ao ano.

Os investimentos da ordem dos 50 mil milhões de dólares são feitos por dois consórcios que operam nas áreas 1 e 4 da bacia do Rovuma, ao largo da costa norte de Moçambique, e que são liderados pelas petrolíferas Total, Exxon Mobil e Eni.

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