De acordo com o documento, preparado pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), Sociedade Financeira Internacional e Agência Multilateral de Garantia dos Investimentos, do grupo Banco Mundial, genericamente este financiamento será distribuído em apoio às metas, definidas pelo Governo cabo-verdiano, de instalar um ‘hub’ digital no país, bem como para financiamentos adicionais ao setor da educação e para apoiar a reestruturação das empresas estatais.

O documento que suporta o acordo de parceria entre Cabo Verde e o grupo Banco Mundial, que substitui o que está em vigor, aprovado em 2014, prevê ainda o apoio financeiro — através do BIRD e pela Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA, na sigla em inglês) – à implementação de políticas de desenvolvimento em Cabo Verde e pretende “acelerar o capital humano para um crescimento inclusivo liderado por serviços e fortalecer o ambiente para uma economia mais diversificada no arquipélago”.

“Cabo Verde avançou na redução da pobreza, na desigualdade e na melhoria dos resultados do desenvolvimento humano nos últimos 20 anos. No entanto, a exclusão social continua a ser um desafio para a população mais desfavorecida e extremamente pobre. O desemprego juvenil permanece elevado, com 41% dos jovens em idade compreendida entre 15 a 24 anos”, alerta o Banco Mundial, no comunicado em que anuncia o Quadro de Parceria do País para 2020-2025 (CPF).

O Governo de Cabo Verde tem em curso reformas ao nível das empresas públicas, deficitárias e que serão privatizadas, em diferentes setores, bem como na instalação na ilha do Sal de um ‘hub’ aéreo ligando África à Europa e Estados Unidos, e de um ‘hub’ para empresas tecnológicas. Foi ainda traçada a meta de atingir, nos próximos anos, a marca anual de um milhão de turistas em Cabo Verde, face aos atuais mais de 750 mil.

“Este CPF tem como objetivo apoiar o Governo na busca de uma agenda de reformas para alcançar a sustentabilidade da dívida, macro-estabilidade, crescimento e resiliência inclusivos”, explicou, num comunicado da instituição, o diretor do Banco Mundial para Cabo Verde, Nathan Belete.

“A estratégia se concentrará em promover investimentos para preparar a força de trabalho para uma economia baseada na prestação de serviços de alta qualidade e em reformas estruturais contínuas para atrair investimentos privados, promover o crescimento sustentável e construir conectividade, física e digital”, acrescentou, no mesmo comunicado, Fatou Fall, representante residente do grupo Banco Mundial na cidade da Praia.

O documento acrescenta que o CPF para o período de 2020 a 2025 “apoiará a estratégia do Governo através de intervenções extremamente seletivas que incidem nos principais potenciadores de setores específicos em que a potencial vantagem competitiva de Cabo Verde é a maior na região”, e para a qual o Grupo Banco Mundial apresenta “uma vantagem comparativa”.

São esperados resultados ao nível do incremento do capital humano, “para um crescimento inclusivo, impulsionado pelos serviços”. “Incidirá em investimentos catalisadores para preparar a mão-de-obra para uma economia baseada na prestação de serviços de elevada qualidade”, lê-se. Em termos concretos, estão definidos nesta área dois objetivos centrais: a melhoria do ensino básico e de competências para empregos presentes e futuros; e o apoio à proteção social e a inclusão produtiva.

São igualmente esperados, com esta parceria, resultados ao nível do reforço do ambiente para uma economia mais diversificada, incidindo em reformas estruturais contínuas e investimentos para atrair o investimento privado, promover o crescimento sustentado e construir conetividade, tanto física como digital. Neste caso, serão apoiadas medidas para uma melhor resiliência fiscal e macro-económica; e fomentada a melhoria das bases para o crescimento estimulado pelo setor privado, refere o documento.

Atualmente, Cabo Verde conta com oito projetos financiados pelo IDA e pelo BIRD no valor total de 156 milhões de dólares (140,6 milhões de euros), distribuídos pelas áreas dos transportes, desenvolvimento humano, competitividade do turismo, acesso a financiamento para micro, pequenas e médias empresas e governança.

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