“Segundo os nossos cálculos, na sequência dos dados divulgados pelo INE relativamente ao andamento da economia nacional, parece-nos difícil que a quebra seja tão branda [como prevê o Governo], antecipando que a quebra seja superior à de 2016 (-2,5%)”, lê-se na Informação Semanal, enviada hoje aos investidores e a que a Lusa teve acesso.

A previsão do BFA acontece um dia depois de o Ministério das Finanças ter atualizado as previsões, diz o BFA, escrevendo que “de acordo com dados do Ministério das Finanças, revelados ontem [quinta-feira] num ‘workshop’ sobre o mercado de capitais, o PIB [Produto Interno Bruto] deverá decrescer 1,1% este ano, com o PIB petrolífero a cair 8,2% e a economia não petrolífera a subir 1,0%”.

Nas contas do BFA, “para que a economia não petrolífera cresça 1,0% na totalidade do ano, será necessário um aumento homólogo do PIB não petrolífero de 7% nos últimos dois trimestres”.

A recessão que se verifica em Angola desde 2016 agravou-se no primeiro semestre deste ano, em que a atividade económica teve uma quebra média de 6,05%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Na nota de imprensa divulgada em meados de outubro sobre a evolução do PIB (toda a riqueza produzida no país), com base em dados do Departamento de Contas Nacionais e Coordenação Estatística, a atividade económica caiu 4,6% no primeiro trimestre do ano, e agravou a queda para 7,4% no segundo trimestre face aos trimestres homólogos do ano passado, resultando numa quebra semestral de 6,05%.

No dia 17 deste mês, a Lusa noticiou que a economia angolana tinha agravado o cenário de recessão no segundo trimestre, com uma queda de 7,4% no PIB face ao período homólogo de 2017, uma quebra motivada sobretudo por setores como as pescas (-10,0%), indústria transformadora (-8,8%), extração e refinação de petróleo (-8,4%) e extração de diamantes e outros minerais (-6,1%).

Trata-se da terceira quebra homóloga (-7,4%) no PIB angolano mais acentuada no histórico disponibilizado pelo INE, desde 2010, apenas ultrapassada pela queda de 11,33% no quarto trimestre de 2015 e pela descida de 7,55% no terceiro trimestre de 2016.

De acordo com os dados apresentados pelo INE, Angola enfrentou um crescimento negativo de quase 2,6% em 2016, que se seguiu a uma expansão de quase 1% em 2015.

No ano passado, de acordo com o INE, o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana registou uma contração na atividade económica de 0,1%, o que contrasta com as previsões do Fundo Monetário Internacional feitas este mês, no ‘World Economic Outlook’, que apontavam para uma contração de 2,5% no ano passado e de 0,1% este ano.

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