A cerimónia de abertura, durante a manhã, no Centro de Convenções Talatona, contará com a participação da ministra da Cultura angolana, Maria da Piedade de Jesus, da diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, e do presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat.

Após a apresentação, segue-se uma conferência magistral presidida pelo prémio Nobel da Paz de 2018, o médico da República Democrática do Congo (RDCongo), Denis Mukwege, terminando com o discurso do Presidente angolano, João Lourenço.

Na parte da tarde, o Memorial António Agostinho Neto acolhe a primeira sessão do Fórum Parceiros, que debaterá o tema “Movimento de múltiplas partes interessadas para construir a paz e o desenvolvimento em África”.

Neste primeiro dia, o Museu Nacional de História Militar irá receber o Festival de Culturas.

De acordo com o secretário de Estado da Cultura angolano, Aguinaldo Cristóvão, a resolução de conflitos é um problema de todos os africanos, e Angola pretende partilhar experiências e trazer contributos para este debate durante a Bienal de Luanda.

“Temos alguns problemas relacionados com conflitos, temos violência, mas estes problemas não podem ser vistos de modo estanque”, disse Aguinaldo Cristóvão à agência Lusa, sublinhando que a resolução dos conflitos deve ser partilhada por todos os africanos.

O governante indicou que o Estado angolano “tem uma experiência em matéria de resolução de conflitos muito importante”, que quer partilhar, e uma filosofia de apoio” aos outros países, tentando “encontrar mecanismos de desenvolvimento conjunto”, tendo sido esta uma das razões para acolher a bienal.

A Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano resultou de uma decisão dos chefes de Estado da União Africana “que acharam que havia necessidade de promover um mecanismo, a nível do continente africano” que se centrasse numa abordagem sobre a não-violência e a resolução de conflitos com base no diálogo, recordou.

O desafio “foi assumido pela UNESCO”, que formalizou em dezembro de 2018 um acordo com o executivo angolano para a realização da bienal em 2019 e 2021.

O Governo angolano investiu 512 mil dólares (cerca de 463 mil euros) no projeto e Aguinaldo Cristóvão está confiante no retorno da iniciativa, enfatizando a promoção da cultura angolana e do próprio turismo, “elementos muito fortes” e “com uma grande margem de sustentabilidade”.

São esperados no evento 800 delegados de todo o mundo que vão juntar-se a outros mil participantes nacionais, diretamente envolvidos na bienal, que vai decorrer no Memorial Agostinho Neto, na Fortaleza de São Miguel (Museu Nacional de História Militar) e no Centro de Convenções de Talatona.

Foram convidados 14 países e Portugal vai ter um pavilhão próprio, contando com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, na cerimónia de abertura oficial.

Além do pavilhão no Fórum das Culturas, Portugal terá uma exposição, promovida pela Fundação Calouste Gulbenkian, sobre o património histórico de origem portuguesa no mundo, que ficará patente a partir de quarta-feira no Museu Nacional de História Natural de Angola.

A bienal tem como focos temáticos a juventude, paz e segurança, a criatividade, empreendedorismo e inovação, num festival de culturas que inclui cinema, música, artes plásticas e visuais, teatro, dança, moda, design, banda desenhada, videojogos, poesia, literatura, tradição oral e artesanato.

Entre as presenças confirmadas para o evento estão o presidente da União Africana, Abdel Fattah al-Sisi, e o ex-jogador de futebol Didier Drogba.

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