Bienal Videobrasil traz trabalhos de 55 artistas de 28 países

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A Bienal de Arte Contemporânea Sesc-Videobrasil abre a 21ª edição na próxima quarta-feira (9) no Sesc 24 de Maio, no centro paulistano. São 60 trabalhos de 55 artistas de 28 países. Neste ano, a mostra tem como tema “Comunidades Imaginadas”, mesmo título do livro do historiador Benedict Anderson sobre nacionalismo.

A ideia é pensar sobre organizações comunitárias para além dos Estados, como grupos tradicionais, refugiados e possibilidades utópicas. “Responde o desejo de tomar o pulso da produção artístico de comunidades sem Estado, como as comunidades indígenas, imigrantes, religiosas. Todo tipo de comunidade que não se conforma em ou não é representada por um Estado nacional”, explica um dos curadores, Gabriel Bogossian.

Artistas indígenas

A produção de artistas indígenas é uma das marcas desta edição. “A produção indígena toma muito o caminho do enfrentamento das políticas territoriais, sobre as políticas do Estado brasileiro de uma forma mais ampla que envolve direitos, como direito à saúde”, comenta o curador.

A luta por direitos foi o que levou um grupo de indígenas da região do Vale do Javari a ocupar um prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) em janeiro de 2018. O registo dessa manifestação compõe uma das três partes do tríptico feito com vídeos do coletivo Alto Amazonas Audiovisual. “Cada elemento aborda um aspecto da experiência indígena contemporânea na região do Alto Javari. Uma região com violentas disputas e com mais grupos isolados no Brasil hoje. Muito rica em minérios e próxima à fronteira com o Peru e a Colômbia, onde o Estado brasileiro está muito pouco presente”, detalha Bogossian a respeito do contexto do trabalho.

As fronteiras também aparecem, ténues, na obra “Jeguatá: caderno de viagem”. Com fotos, vídeos e objetos é feito o registo de uma viagem de indígenas guaranis brasileiros em uma visita a uma aldeia da mesma etnia na Argentina. O curador conta que o grupo responsável pela expedição “fez uma ponte entre essas duas aldeias e no caminho levou recado de parentes que não se viam há muitos anos. Uma espécie de videocarta”.

“Nessa obra a gente percebe o quanto o mundo indígena não se organiza pelas fronteiras, e as restrições sociais do mundo não-indígenas interferem na experiência social e subjetiva do mundo indígena”, destaca Bogossian sobre a pesquisa.

Visibilidade

Explorando o senso de comunidade em um contexto urbano, o Jardim Miriam Arte Clube (Jamac) pendura grandes estandartes na entrada da exposição retratando mulheres importantes no bairro e na história recente da América-Latina. “A instalação é um exercício de visibilidade e memória dessas mulheres”, enfatiza o texto da curadoria. O Jamac foi fundado em 2004 pela artista plástica Mônica Nador, onde os trabalhos são desenvolvidos em conjunto com a comunidade local.

“Em um sentido a gente percebe todas essas comunidades minoritárias expressando um desejo por reconhecimento, por legitimidade da sua existência”, resume Bogossian sobre o ponto que parece atravessar a grande maioria dos trabalhos presentes na mostra.

Do ponto de vista estético, no entanto, o curador destaca que as propostas são plurais. “Desde o vídeo clássico, monocanal na televisão, até instalações complexas multicanal. Produções recentes, produções com material antigo”, enumera.

A Bienal Videobrasil vai até o dia 2 de fevereiro de 2020. A exposição pode ser vista de terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h.

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