O recinto cultural esteve “trajado” a rigor para receber o cantor que muito tem feito para a preservação da música angolana, engalanada com as cores da bandeira nacional, amarela, preta e vermelha. Bonga deu tudo de si para dar esperança e alegria aos seus fãs, que foram para conviver, viver e recordar tempos que não voltam, mas que ficaram musicadas.

O espectáculo, que encerra a temporada do Musongué de 2018, foi aberto pela Banda Movimento, secundado pela cantora Dina Santos, que começaram a “aquecer” a tarde com temas de encantar.

Actuou ainda Dom Caetano, que cedeu o palco ao cantor Calabeto que em  25 minutos puxou muita gente para a pista de dança, ao som do semba.

Em seguida subiu ao palco, para satisfação das pessoas que o aguardavam desde o final da manhã, Bonga Kuenda, que fez uma incursão nostálgica ao “seu” bairro Marçal das décadas de 60 e 70, arrancando aplausos e lágrimas dos presentes, com passadas à mistura.

Com a sua dikanza, o homenageado tocou algumas rebitas, que fazem parte do seu vasto reportório musical de mais de 45 anos de carreira dedicado à música, onde tem carimbando o seu nome nas melhores salas de espectáculos do mundo.

Acompanhado pela sua banda, de onde pontificam os nomes do angolano Betinho Feijó (guitarra), o português Ciro (harmónica), o moçambicano Herlander (bateria) e o guineense Gipson (nos teclados), Bonga tirou do seu baú das recordações as músicas “kamakove”, “kaombo é que pica”, “homem do saco”, “kambwa” e mulembas xangola”.

O cantor encerrou a sua apresentação com o tema “kisselenguenha”, “obrigando” a assistência a fazer uma roda e dançar ao som de uma música com mais de 30 anos, mas que o tempo não apaga.

O homenageado que lotou o Centro Recreativo e Cultural Kilamba (que tem servido como o local de preservação e divulgação do semba e dos seus fazedores como grupos, produtores, cantores) tem nas suas músicas uma forma de contar história, da maneira como aborda os assuntos sociais, políticos e, acima de tudo, à defesa e preservação da identidade cultural.

O artista foi contemplado com um diploma de mérito pela organização do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, entregue na ocasião pelo director Nacional da Cultura, Euclides da Lomba, que realçou o trabalho e contributo que Barceló de Carvalho “Bonga” tem dado em prol do semba.

O show foi encerrado pelo cantor Cristo, que puxou dos galões e soube prestigiar a tardededicada ao cantor e compositor Bonga.

José Adelino Barceló de Carvalho nasceu em Luanda a 5 de Setembro de 1942, adoptando na adolescência o nome de Bonga Kuenda. Com 76 anos, o cantor é um nome que traduz um homem talentoso, incansável e com uma trajectória de vida digna de uma sequela cinematográfica.

Fundador da Kissueia (folk) e participando em outros tantos, compondo temas a partir dos anos 50/60.

Nos anos 60 o seu talento no desporto o levou a Portugal onde se sagrou Campeão Nacional de 400m (atletismo), sob o seu nome de nascença, e, em 1972 já em Roterdão (Holanda), grava o seu primeiro álbum, Angola 72 seguindo-se Angola 74, numa intervenção de peso a favor da sua terra, então colonizada, e que rapidamente se torna a “banda sonora” da luta pela independência angolana.

Publicidade