“A Junta Militar da Renamo determina e manda publicar oficialmente a partir de hoje, a destituição imediata do atual presidente da Renamo, Ossufo Momade e anuncia a nulidade de todos os acordos que Momade assinou com o Governo da Frelimo”, lê-se numa nota do grupo, que está reunido hoje na Gorongosa, no centro de Moçambique “para eleger um novo líder”.

Na nota, o grupo, que se descreve como uma estrutura militar da Renamo “entrincheirada nas matas” com 11 unidades militares provinciais, reitera que não vai entregar as armas no quadro do acordo de paz assinado com o Governo sob liderança de Ossufo Momade, acrescentando que vai assumir oficialmente todos os poderes de decisão e administração ligados à Desmilitarização, Desarmamento e Reintegração (DDR) da Renamo.

O braço armado da Renamo acusa ainda Ossufo Momade de estar ao serviço do Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) e de violar o espírito dos acordos de paz celebrados pelo líder histórico do partido opositor, Afonso Dhlakama, falecido em 2018.

“Ossufo Momade não foi eleito para vender a Renamo e destruir o seu Estado Maior General à preço de banana, mas sim foi eleito para dar continuidade e proteger os interesses superiores da nação, pelas quais a Renamo lutou desde 1977”, lê-se na nota do grupo, que acusa Ossufo Momade de ter raptado oficiais que eram leais a Dhlakama.

Na semana passada, o atual presidente da Renamo considerou que as contestações à sua liderança resultam da ação de um “grupo de desertores indisciplinados”, destacando a importância da paz, após ter acordado com o Governo moçambicano o fim dos confrontos.

“Quando fomos ao congresso, abrimos espaço para que todos se candidatassem. O congresso elegeu Ossufo Momade. Não é através de um grupo de desertores indisciplinados que vamos definir a nossa linha”, disse Momade.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e Ossufo Momade, assinaram, em 06 de agosto, em Maputo, o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional.

O Governo moçambicano e a Renamo já assinaram em 1992 um Acordo Geral de Paz, que pôs termo a 16 anos de guerra civil, mas que foi violado entre 2013 e 2014 por confrontos armados entre as duas partes, devido a diferendos relacionados com as eleições gerais.

Em 2014, as duas partes assinaram um outro acordo de cessação das hostilidades militares, que também voltou a ser violado até à declaração de tréguas por tempo indeterminado em 2016, mas sem um acordo formal.

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