O chefe da diplomacia do Brasil, Ernesto Araújo, falava em conferência de imprensa conjunta com o homólogo de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, país que tem a presidência rotativa da CPLP, ao terminar a viagem de algumas horas que realizou à Praia.

Questionado sobre a possibilidade de um acordo sobre mobilidade interna na CPLP até à próxima cimeira de chefes de Estado, prevista para julho de 2020, em Luanda, como propõe a presidência cabo-verdiana, Ernesto Araújo disse “esperar que sim”.

“Nestes últimos meses, desde a reunião ministerial aqui no Mindelo, em julho, nós já avançámos bastante, esses entraves estão sendo superados e acredito que para o ano que vem certamente vamos chegar a um bom entendimento dentro da comunidade”, afirmou.

Ainda assim, Ernesto Araújo diz que está em cima da mesa “um entendimento mais profundo, bilateral, com Cabo Verde” em matéria de mobilidade.

“Entre Brasil e Cabo verde nós temos facilidades que talvez vão além daquelas que porventura existam com outros países irmãos da CPLP e que iremos trabalhar também bilateralmente esse tema da mobilidade. Voltarei para o Brasil para buscar ideias de como trabalhar nisso ao longo do ano que vem e esperamos poder ter um avanço talvez mais acelerado com Cabo Verde que com a CPLP, que em si mesmo já é muito promissor”, reconheceu.

Após reunir-se com o homólogo cabo-verdiano, o chefe da diplomacia do Brasil disse ainda que é objetivo do Governo brasileiro “intensificar muito a participação conjunta na CPLP” e “na promoção da língua portuguesa”

“É uma dimensão fundamental para os dois países”, afirmou Ernesto Araújo.

Reunidos no Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, em julho último, os chefes da diplomacia da CPLP mandataram uma comissão técnica para concluir o modelo final de integração comunitária e mobilidade, a aprovar em reunião do conselho de ministros da organização no primeiro trimestre de 2020.

Cabo Verde apresentou uma proposta de modelo de integração comunitária, apelidada de “geometria variável”, que prevê estadas até 30 dias no espaço da comunidade da CPLP isentas de vistos e vistos de curta temporada para profissionais, investigadores e docentes, além de autorizações de residência.

Sobre esse a mobilidade na CPLP, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades cabo-verdiano, Luís Filipe Tavares, referiu que está prevista uma reunião técnica já em janeiro, para “afinar o texto” a levar posteriormente ao conselho de ministros da organização (ministros dos Negócios Estrangeiros ou das Relações Exteriores dos Estados-membros), que terá lugar em Cabo Verde, no mês de março.

“Faremos aqui, em Cabo Verde, seguramente, a celebração da mobilidade na CPLP”, afirmou, explicando que a proposta final será depois levada à cimeira de Luanda, para ratificação pelos chefes de Estado.

Segundo Luís Filipe Tavares, Cabo Verde e Brasil vão ainda “trabalhar” para reforçar as relações comerciais entre os dois países e “aprofundar a mobilidade, para além daquilo que está previsto no quadro da CPLP”.

“Com o Brasil vamos também trabalhar bilateralmente para aprofundarmos ainda mais esta mobilidade e irmos até ao limite do que for possível (…) há muita vontade política de parte a parte, vamos fazer um acordo com o Brasil também”, destacou Luís Filipe Tavares.

Além de Cabo Verde, o ministro das Relações Exteriores brasileiro vistia esta semana Senegal, Nigéria e Angola, com o intuito de debater temas relacionados com a defesa, segurança, comércio e investimento.

O objetivo, assumiu Ernesto Araújo, é o “incremento” da presença brasileira na África ocidental.

Sobre Cabo Verde, prometeu cooperação de “mãos dadas” na dimensão cultural, no reforço da cooperação económica, em matéria de saúde e de segurança marítima.

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