Estimamos que a economia do Brasil recupere gradualmente neste e no próximo ano, mas o ritmo será moderado”, disse Helena Afonso, apontando uma previsão de 1,7% para este ano e 2,3% em 2021, acima dos 1% registados no ano passado.

“No entanto, a recuperação ainda é frágil; a nível interno, há dúvidas sobre a capacidade do Governo em implementar a agenda de reformas, por exemplo, reformar o sistema fiscal altamente complexo, e no lado externo, as condições continuarão pouco favoráveis”, apontou, elencando a recessão na Argentina, o crescimento do crescimento de alguns dos principais parceiros comerciais (China, EUA), que está a diminuir, e os preços das matérias-primas, que devem permanecer moderados.

Em entrevista à Lusa na semana em que foram divulgadas as previsões da ONU para a economia mundial, a especialista com o pelouro de África no departamento de assuntos económicos da ONU precisou que “a recuperação económica do Brasil este ano provavelmente será impulsionada por uma procura doméstica mais forte, dadas taxas de juros atualmente num nível mais baixo, inflação dentro da meta do Banco Central, menor incerteza política e melhoria gradual do mercado de trabalho”.

Questionada sobre a principal preocupação para a economia brasileira, respondeu que o mais preocupante é a falta de alicerces sustentáveis para o crescimento.

“A nível económico, o mais preocupante na economia brasileira é a falta de fatores fortes de crescimento, já que as condições externas são pouco favoráveis, e a nível interno a situação fiscal permanece precária, o que limita os gastos do Governo”.

As famílias, acrescentou, “estão com dificuldades no pagamento de dívidas” e, por outro lado, “o rácio de serviço da dívida é relativamente alto e o crescimento lento do consumo está a impedir o investimento”.

Isto implica, continuou, “que a recuperação do Brasil provavelmente será bastante lenta e levará tempo para que quaisquer ganhos socioeconómicos se concretizem”.

Para inverter este cenário de crescimento baixo e relançar a expansão mais pujante, a ONU considera que é preciso garantir uma “melhoria da confiança económica para facilitar a recuperação do consumo e do investimento, o que exigiria manter o ritmo de reformas, reduzir ainda mais a incerteza política e melhorar o ambiente de negócios”.

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