O Brasil terá em 2021, em Fortaleza, o maior polo de cabos submarinos de fibra ótica do mundo, integrado no Cinturão Digital do Ceará, o principal polo de circulação e transmissão de dados do país, segundo fontes oficiais.

Atualmente, de acordo com o Governo daquela região, o ‘Hub’ Tecnológico do Ceará, cuja capital é Fortaleza, possui 14 cabos submarinos que conectam o Brasil ao resto do mundo e colocam o país sul-americano como um dos líderes mundiais do sector, apenas atrás dos Emirados Árabes Unidos e do Japão.

Em 2021, outros quatro cabos entrarão em funcionamento, incluindo dois da ‘EllaLink’, da empresa local Telebras e da espanhola IslaLink, que conectarão o porto francês de Marselha com Fortaleza, passando por Madrid, Lisboa, ilha da Madeira, Cabo Verde e com ramificações para São Paulo e Guiana Francesa.

“O Ceará tem uma posição privilegiada em relação aos grandes mercados e à conexão com o Atlântico e a Amazónia sem depender das regiões sul e sudeste. Com o ‘hub’, a porta abre-se para vários negócios”, disse à agência Efe o secretário regional do Desenvolvimento Económico e do Trabalho, Francisco Maia Júnior.

A infraestrutura do ‘hub’, detalhou o secretário, “acoplou-se” ao Cinturão Digital, um projeto de 8.000 quilómetros de fibra ótica através do qual 85,9% dos municípios cearenses, alguns em regiões remotas, passaram a contar com a terceiro maior velocidade de conexão, atrás dos estados de São Paulo e Brasília.

O Ceará pretende ainda “tirar proveito” dessa condição para “digitalizar” e colocar todo o governo regional “em nuvem” (armazenamento virtual) nos próximos cinco anos.

“Vamos melhorar a gestão pública e o acesso aos serviços públicos. Será uma poupança de 500 milhões de reais (cerca de 113 milhões de euros) a cada ano”, disse Maia Júnior.

O sector tecnológico no Ceará gerou 10.000 empregos directos e indirectos nos últimos dois anos, com investimentos que atingiram 300 milhões de dólares (270 milhões de euros) em 2018 e 3.000 milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) nos últimos cinco anos.

A multinacional Angola Cables optou por estabelecer em Fortaleza o seu moderno centro de dados e, segundo Maia Júnior, outras empresas desse segmento e de “computação em nuvem, Internet das Coisas (IoT), tecnologia da informação e inovação” pretendem ser instalar-se naquela região do nordeste brasileiro.

Até 2055, segundo cálculos da administração do Ceará, a presença da multinacional angolana poderá movimentar cerca de 22,3 mil milhões de reais (cerca de cinco mil milhões de euros milhões) apenas na economia local de Fortaleza.

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