Apontando que “o gafanhoto-do-deserto é considerado, a nível mundial, a praga mais destrutiva causada por espécies migratórias”, Bruxelas nota que, “desde há um mês, a situação na África Oriental deteriorou-se rapidamente” e adverte que “a longa época das chuvas, que terá início em março, é propícia a uma nova vaga reprodutiva e mais propagação na região”.

“Estão já ser comunicados prejuízos nas culturas e nas pastagens no Quénia, na Etiópia e na Somália, os três países mais afetados, podendo as perdas alastrar rapidamente a outros países vizinhos, como o Djibuti, a Eritreia, o Sudão do Sul, a Tanzânia e o Uganda. O Iémen, o Sudão, o Irão, a Índia e o Paquistão estão também em risco”, alerta o executivo comunitário.

Notando que “as perdas de culturas e alimentos nas zonas afetadas podem ser enormes, gerando impactos negativos diretos e dramáticos na agricultura e nos meios de subsistência”, Bruxelas salienta que “a praga poderia ter consequências devastadoras para a segurança alimentar numa região vulnerável, na qual 27,5 milhões de pessoas sofrem de uma grave insegurança alimentar e, pelo menos, mais 35 milhões estão em risco”.

Deste modo, e depois de já ter mobilizado um milhão de euros de fundos humanitários, a Comissão anuncia agora a contribuição de 10 milhões de euros, sendo que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já estimou que sejam necessários cerca de 70,3 milhões de euros para as ações mais urgentes, tanto no que respeita ao controlo dos gafanhotos-do-deserto como à proteção e à recuperação dos meios de subsistência agrícolas.

Com o anúncio de hoje sobre a concessão de 10 milhões de euros, o plano de resposta elaborado pela FAO para fazer face à praga totaliza, até à data, 29,4 milhões de euros, por parte da UE e dos parceiros internacionais.

“Esta crise mostra, uma vez mais, a fragilidade dos sistemas alimentares confrontados com ameaças. A abordagem da UE, em consonância com o Pacto Ecológico, centra-se na sustentabilidade. Temos de reforçar a capacidade de resposta coletiva a estas ameaças, mas também temos a responsabilidade de intervir de imediato com determinação para evitar uma crise grave, combater as causas profundas desta catástrofe natural e proteger os meios de subsistência e a produção alimentar”, comentou a comissária europeia das Parcerias Internacionais, Jutta Urpilainen.

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