Cabo Verde: Abraão Vicente considera “ridícula“ ideia de uma comunidade Lusófona e CPLP sem resolução de questões básicas

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O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas considerou hoje “ridícula, toda esta ideia de uma comunidade Lusófona e CPLP enquanto não for resolvida as questões básicas” de visto que permitam a livre circulação entre estados membros.

Abraão Vicente fez estas considerações durante a conferência “Morabeza sobre Cabo Verde”, realizada na Biblioteca Nacional, no âmbito da “Morabeza – Festa do Livro”, que decorre na capital cabo-verdiana.

O ministro mostrou-se crítico em relação a países de recepção para indagar quanto à validade do papel da identidade.

Questiona mesmo o que vale o passaporte cabo-verdiano quando em confronto com toda a burocracia da União Europeia, americana ou mesmo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), quando na fronteira o passaporte cabo-verdiano tem valor diferente em relacao ao português ou de outro Estado.

“Se os Estados não querem que circulemos, então é preciso sermos, também pragmáticos no sentido de pensar que não podemos continuar a fazer esta conversa de nuvem”, especifica Abraão Vicente para quem é preciso exercer o pensamento crítico sobre aquilo que o cabo-verdiano é como identidade.

Perante uma plateia repleta de estudiosos e apreciadores da literatura, o governante ressaltou que, enquanto os cidadãos lusófonos de países africanos não assumirem que são tratados de forma diferente nas fronteiras e o modo como a democracia pode driblar as diferenças, um visto de entrada no mesmo passaporte passa por diversos dilemas.

A pesar destas contrariedades, Abraão Vicente destacou o espírito “muito positivo“ que o cabo-verdiano tem em resolver os seus problemas para descrever Morabeza como identidade que marca o povo destas ilhas e que, apesar das dificuldades no confronto com o vasto mundo, o cabo-verdiano consegue receber bem e sem quaisquer traumas.

Nesta linha de pensar, enalteceu o valor do crioulo na língua cabo-verdiana para considerar que o português é a língua oficial e vai continuar a ser, mas considera “indigno“ para a maior criação do cabo-verdiano como povo e como identidade, o crioulo continuar a ser como uma língua não reconhecida oficialmente pela Constituição como língua oficial.

O ministro fez questão de especificar que esta não é a posição do Governo cabo-verdiano, mas que, como ministro da Cultura, vai lutar para para defender a sua tese por altura do debate da revisão da Constituição de Cabo Verde, com o argumento que a maior construção identitária morabeza cabo-verdiana está na língua cabo-verdiana nas suas várias nuances.

Abraão Vicente partilhou a mesa de debate com a escritora portuguesa Ana Margarida de Carvalho, galardoada por duas vezes com o “Prémio Narrativa”, da Associação Portuguesa de Escritores”, mediante a coordenação da curadora da Biblioteca Nacional, Fátima Fernandes.

Contrariamente ao anunciado, o escritor moçambicano Mia Couto não pôde deslocar-se a Cabo Verde para participar nesta mesa redonda, tendo entretanto endereçado uma mensagem (vídeo) aos “cabo-verdianos” com a promessa de regressar, brevemente, ao País para participar em outras acções ligadas a cultura.

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