O presidente da Associação de Cinema e Audiovisual de Cabo Verde (ACACV) disse hoje que é urgente a criação da lei do cinema, visando a regulamentação de um conjunto de pontos, que considera estarem “vagos”, actualmente.

Mário Benvindo Cabral falava em declarações à Inforpress, no âmbito da comemoração do sexto aniversário da criação da ACACV, cujo objectivo é o de promover o desenvolvimento artístico do cinema cabo-verdiano e da cultura cinematográfica no país ou no estrangeiro e actividades de promoção, produção, formação, programação, edição, exibição e distribuição.

Conforme referiu, durante esses seis anos de vida da instituição a grande luta tem tido o foco no debate, com os sucessivos governos, no intuito de se criar a lei do cinema e do Instituto do Cinema.

Entretanto, segundo disse, esperam que este ano lhes seja dada finalmente a “boa nova”.

Segundo Mário Cabral, além da criação da lei em apreço, acredita que ainda é necessário estabelecer também os respectivos regulamentos, “porque só a lei não é suficiente, por isso é preciso regulamenta-la”.

“O cinema está à toa em Cabo Verde, porque anteriormente não se sabia quem ia atribuir o financiamento e para quem, qual o montante a ser distribuído, e quais os critérios, mas com a lei do cinema tudo vai ficar definido a nível de financiamentos”, asseverou, indicando este  produtor e realizador, que acredita ainda que a lei do cinema trará benefícios a nível de parcerias Internacionais, uma vez que existem muitas instituições que querem apoiar o cinema no país, mas que só o fazem através de um Instituto de Cinema.

Neste sentido, defendeu a criação do Instituto de Cinema para que os produtores e realizadores cabo-verdianos tenham acesso a outros tipos de fundos e possam competir a financiamentos “em pé de igualdade com outros países”.

“Há fundos de cinema internacional, mas o Governo não pode ser intermediário, mas sim o Instituto de Cinema. Hoje em dia não há nenhum tipo de regulamentação que autorize filmagens em Cabo Verde. As pessoas chegam e realizam os seus projectos e não deixam nenhuma contribuição ao País, mas com a lei do cinema elas passam a ser obrigadas a deixar parte do financiamento, e a ter na sua equipa de produção pessoas nacionais” indicou.

Segundo Cabral, a Associação teve recentemente um encontro com o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, e este mostrou o seu engajamento e disponibilidade do seu gabinete em apoiar a instituição no sentido de fazerem um trabalho conjunto para a efectivação da lei do cinema e a sua aprovação no Parlamento.

Nos últimos cinco anos, indicou, uma das grandes dificuldades da Associação foi de ordem financeira que os levava a não cumprir na íntegra os sucessivos planos de actividade.

Entretanto, indicou que mesmo com a falta de verbas conseguiram, em parceria com a Câmara Municipal da Praia ter uma sede e realizar algumas actividades, nomeadamente o concurso de curta-metragem, cinema de rua e angariação de sócios.

Porém, segundo apontou o ponto alto da Associação foi em Setembro de 2017, com a primeira transferência feita pelo Governo relativamente à lei da Cópia Privada.

“Tivemos uma reviravolta depois da aprovação da lei da cópia privada. Tendo acesso a fundos do Governo, podemos dizer agora que as coisas estão a mudar e este ano promete, porque temos verba para funcionar, pelo que aproveitamos para fazer a restruturação interna e deste modo dar uma melhor resposta aos sócios”, enfatizou.

Em relação às actividades de comemoração alusivas ao sexto aniversário da instituição, Mário Cabral disse que ao longo do ano irão levar a cabo um conjunto de iniciativas, com destaque para o lançamento do site, realização do concurso de documentários de curta-metragem com o tema “Combate ao uso excessivo do álcool”.

Este ano vão ainda lançar um edital de financiamento para as pequenas produções de documentários de ficção, realização de formação de baixo custo em montagem, Adobe Premier e na área de actores com o apoio de Portugal.

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