A informação consta de uma nota publicada hoje pelo IPC, na sequência da visita a Portugal, na semana passada, do presidente do instituto cabo-verdiano, Hamilton Jair Fernandes, no âmbito da cooperação técnica que já existe entre as duas instituições.

Acompanhado por Paula Silva, da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o responsável cabo-verdiano visitou o Museu Nacional Resistência e Liberdade, exemplo que Cabo Verde pretende aproveitar.

Este museu nasceu do reconhecimento da Fortaleza de Peniche enquanto espaço-memória e símbolo da luta pela liberdade em Portugal e da resistência à ditadura do Estado Novo, tal como a transformação feita no antigo campo do Tarrafal, Cabo Verde, que passou a Museu da Resistência.

“Histórias e memórias que se cruzam e que vai unir uma vez mais estes dois espaços, agora pelo conhecimento e preservação da memória histórica para as futuras gerações. É neste sentido que o IPC e a DGPC pretendem assinar um acordo de parceria para formalizar um acordo já existente”, lê-se na nota.

O documento acrescenta que o “futuro acordo de parceria”, em negociação entre o IPC e DGPC, visa a capacitação técnica em áreas como a museologia e gestão de museus, assistência técnica e intercâmbio entre técnicos das duas estruturas, além de mobilização de financiamentos.

“Assim como apoio técnico e científico ao projeto de candidatura do ex-Campo de Concentração do Tarrafal de Santiago, Cabo Verde, a património mundial”, refere ainda.

Situado na localidade de Chão Bom, o antigo Campo de Concentração do Tarrafal foi construído no ano de 1936 e recebeu os primeiros presos em 29 de outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956.

Reabriu em 1962, com o nome de “Campo de Trabalho de Chão Bom”, destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Após a sua desativação, o complexo funcionou como centro de instrução militar e desde 2000 alberga o Museu da Resistência.

O levantamento para o concurso público da empreitada de reabilitação recorda que o espaço ficou “gravado na memória” dos portugueses, angolanos, guineenses e cabo-verdianos como o “campo da morte lenta” ou “da morte”.

O espaço foi classificado Património Cultural Nacional através da Resolução nº 33/2006, de 14 de agosto e desde 2004 que integra a lista indicativa de Cabo Verde a património da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Ao todo, foram presas neste “campo da morte lenta” mais de 500 pessoas: 340 antifascistas e 230 anticolonialistas.

Em 2018, o Museu da Resistência ( antigo Campo de Concentração do Tarrafal) foi o museu cabo-verdiano mais visitado, com 9.000 visitantes.

O antigo campo de concentração vai receber obras de reabilitação de quase 320 mil euros, segundo o concurso público lançado no final de outubro, precisamente 83 anos depois da sua abertura.

Segundo o edital da Infraestruturas de Cabo Verde, a obra visa a “reabilitação integral” do antigo campo de concentração, empreitada inserida no Plano Nacional de Reabilitação de Edifícios Históricos e Religiosos, traçado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

O concurso foi lançado quando passam 83 anos (29 de outubro de 1936) da chegada de 152 presos políticos ao Tarrafal.

O concurso público para a obra decorre até 05 de dezembro, devendo a intervenção não exceder os oito meses e o preço base de até 35 milhões de escudos (quase 320 mil euros).

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