O número de quartos em unidades hoteleiras em Cabo Verde deverá quase duplicar em cinco anos, para mais de 20.000 até 2021, e ultrapassando os 1,1 milhões de turistas anuais, segundo a mais recente previsão governamental.

A previsão consta de um documento apresentado este mês pelo Governo aos parceiros sociais, ao qual a Lusa teve hoje acesso, com os objetivos da reforma no setor do Turismo, que prevê potenciar a diversificação das áreas turísticas, além do tradicional turismo balnear de massas (sol, praia e mar).

Segundo o documento, essa aposta passa por novos segmentos como turismo rural, turismo de montanha, pela captação de turismo de eventos sociais, pelo turismo de negócios, pela pesca desportiva, pelos cruzeiros e pelo turismo histórico.

Em 2016, refere o documento, as unidades hoteleiras em Cabo Verde receberam 640.000 turistas – registo que subiu em 2018 para 765.000 -, número que no “cenário otimista moderado” do Governo deverá crescer para 1,14 milhões em 2021 e para 3,53 milhões em 2030.

A curto prazo (2021), a meta do Governo é o crescimento das receitas do turismo “acima da média”, com pelo menos um milhão de turistas por ano, colocando Cabo Verde “no top 30 dos destinos mais competitivos” e no “top 5 em África”.

O número de quartos nas unidades hoteleiras do país era de 11.435 em 2016, com 30.968 empregos gerados pelo setor (7.742 diretos), com a previsão governamental a estimar chegar ao próximo ano com 20.152 quartos e 54.576 postos de trabalho (30.968 dos quais diretos).

A médio prazo, até 2030, a previsão aponta que o Turismo garanta 169.505 postos de trabalho em Cabo Verde, com 62.590 quartos.

Face a este enquadramento, as receitas com a taxa turística, aplicada a cada dormida e utilizada para o desenvolvimento do setor, que rendeu em 2016 quase 7,7 milhões de euros, deverá crescer para 13,55 milhões de euros em 2021, podendo chegar aos 40 milhões de euros.

Para o efeito, o Governo prevê aplicar planos de desenvolvimento das potencialidades turísticas das ilhas da Brava, Fogo, Santiago, Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista e Maio, bem como Planos Municipais de Turismo.

Numa visão a 30 anos, no âmbito desta reforma, está igualmente prevista a instituição do Livro Branco do Turismo e o impulso do Estado às sociedades de desenvolvimento turístico, numa lógica de desconcentração de serviços.

O documento justifica a previsão do crescimento do número de quartos com os novos empreendimentos hoteleiros em curso ou a lançar, como dos grupos e marcas Robinson, Radison, Riu Magic Life, Hilton, Barceló, Marriot e Sheraton.

Também o grupo Macau Legend, do empresário David Chow, prevê concluir até final de 2020 a construção do hotel e do casino em curso na cidade da Praia, em Cabo Verde, segundo informação enviada em agosto aos investidores, num investimento inicial de 90 milhões de euros.

Em 2015, David Chow, empresário luso-chinês nos setores do turismo, entretenimento e jogos em Macau, e proprietário do grupo Macau Legend, assinou com o Governo cabo-verdiano um acordo para a construção do empreendimento Gamboa/ilhéu de Santa Maria.

A primeira pedra deste projeto foi lançada em fevereiro de 2016.

Trata-se do maior empreendimento turístico de Cabo Verde, com um investimento global previsto de 250 milhões de euros – cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional – para a construção de uma estância turística no ilhéu de Santa Maria, que cobrirá uma área de 152.700 metros quadrados, inaugurando a indústria de jogo em Cabo Verde.

David Chow recebeu uma licença de 25 anos do Governo de Cabo Verde, 15 dos quais em regime de exclusividade na Ilha de Santiago. Esta concessão de jogo custou à CV Entertaiment Co., subsidiária da Macau Legend, o equivalente a cerca de 1,2 milhões de euros.

A promotora recebeu também uma licença especial para explorar, em exclusividade, jogo ‘online’ em todo o país e o mercado de apostas desportivas durante 10 anos.

A obra envolve a construção de um hotel com ’boutique casino’, com 250 quartos, uma grande piscina e várias instalações para restaurantes, bares e estabelecimentos comerciais.

Publicidade