Cabo Verde está a trabalhar para desenvolvimento sustentável – ministro da Cultura

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O ministro da Cultura e das Industrias Criativas defendeu, na sede da UNESCO, em Paris, que o arquipélago está a fazer a sua parte para “um desenvolvimento sustentável”, em particular no acesso à educação e à cultura.

“Cabo Verde vem a esta 40.ª Conferência Geral da UNESCO imbuído de um espírito de otimismo e convicção de que estamos a fazer a nossa parte para um desenvolvimento sustentável, uma educação de qualidade e acessível a todos, para uma variada disponibilidade de serviços culturais, para o desenvolvimento das indústrias criativas, para o respeito dos direitos autorais e [para] a dignificação do trabalho do artista”, começou por afirmar Abraão Vicente, na sede da agência das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

O ministro da Cultura das Industrias Criativas vincou o “empenho do país” na preservação do ambiente e do ecossistema do arquipélago, “apesar das condições trazidas por três anos de mau ano agrícola devido à escassez das chuvas”.

Abraão Vicente destacou a aposta de Cabo Verde no sector cultural e nas indústrias criativas, salientando um programa de oito milhões de dólares (7,3 milhões de euros) financiado na totalidade pelo Estado cabo-verdiano.

Nesse campo, o ministro apontou também a assinatura de vários tratados e a adoção de legislação relativa aos direitos de autor.

Quanto à formação artística, Abraão Vicente destacou a fundação da Cesária Évora Academia de Artes e o desenvolvimento de um programa de financiamento de propinas aos alunos que “alcança, neste momento, mais de três milhares de crianças em 22 municípios do país”.

“Acreditamos que a cultura e a educação são os mais importantes instrumentos de promoção da paz e da sustentabilidade”, disse o responsável pela pasta da Cultura e das Industrias Criativas, acrescentando que a aposta “vale a pena”.

Quanto à educação, o ministro afirmou que o objetivo do executivo é “criar um sistema educativo que não deixe ninguém para trás” e que o foco do país continua a ser “garantir uma educação de qualidade, a igualdade de género, o emprego, o trabalho decente, a inovação e a redução das desigualdades”.

O investimento de mil milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de nove milhões de euros) na implementação da tecnologia de televisão digital terrestre foi também destacado pelo ministro, que garantiu uma total transição para este sistema até 2020.

O governante sublinhou igualmente as iniciativas tomadas com vista à liberdade de imprensa, como o reforço do papel da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social e o aumento dos valores anuais “do incentivo à comunicação social privada”.

Abraão Vicente terminou a sua intervenção com uma breve abordagem à morna.

“É com felicidade que os cabo-verdianos receberam a notícia de que a comissão de peritos da UNESCO recomendou a inscrição do género musical Morna a Património Imaterial da Humanidade”, disse o ministro.

“Reforço aqui que a concretização deste ato em Bogotá será uma honra e uma alegria para todos os cabo-verdianos e representará, para o nosso povo, o reconhecimento do nosso percurso e legado histórico como povo e como nação”, concluiu Abraão Vicente.

O género musical morna deverá ser classificado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, anunciou Abraão Vicente na passada quinta-feira, aludindo à decisão a ratificar em dezembro.

Cabo Verde apresentou em Março do ano passado a candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, cuja decisão pública deverá ser conhecida durante a reunião do Comité do Património Cultural Imaterial da UNESCO, que decorre entre 09 e 14 de Dezembro, em Bogotá, Colômbia.

O dossiê cabo-verdiano contou com a colaboração do antropólogo Paulo Lima, especialista português na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, como o fado, o cante alentejano e a arte chocalheira.

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