O presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, afirmou hoje na Cidade da Praia que o número de bolsas de estudo reduziu “drasticamente” nos últimos dois anos em Cabo Verde.

“Não é normal que tenha havido em dois anos a redução tão drástica no número de bolsas de estudo, quando o discurso propalado pelo primeiro-ministro é de que há crescimento económico no país”, observou a líder do PAICV, no final da visita que efectuou hoje à Universidade Jean Piaget, na Cidade da Praia.

Janira Hopffer Almada, que iniciou esta semana um ciclo de visita a várias instituições do ensino superior no país, no âmbito da preparação do debate parlamentar sobre o sector, disse que “se o país está a crescer todos os cabo-verdianos têm de sentir isso”.

“E os jovens cabo-verdianos que constituem a maioria da população têm de ter a sua quota parte neste crescimento”, enfatizou, sublinhando que esse crescimento não pode continuar apenas a atingir uma pequena franja da população.

Segundo a líder do PAICV, em todas as universidades que visitou queixa-se de que “há uma grande dificuldade” por parte das famílias dos alunos em assumirem o pagamento das propinas.

“Para nós isso não deve constituir motivo de estranheza. Basta analisarmos os dados do país, o rendimento das famílias para notarmos que efectiviamente só com muitas dificuldades é que  muitas famílias poderão assumir esses encargos”, frisou.

Indicou, por outro lado, que as duas universidades privadas que já esteve, nomeadamente do Mindelo e Jean Piaget, na Cidade da Praia “dizem claramente” que não há nenhum apoio por parte do Estado para as suas actividades.

Por isso e incidindo ainda sobre a questão da dificuldade do pagamento das propinas, Janira Hopffer Almada disse que o seu partido entende que essa responsabilidade tem que ser partilhada entre as famílias e o Estado, mas antes de mais “é uma questão também de definição, de visão, da política do Estado para este sector”.

“O governo tem de demonstrar qual é a sua agenda para o ensino superior, o que pensa sobre a matéria de comparabilidade dos nossos parâmetros com os parâmetros internacionais, que medidas de incentivos e de financiamento para as instituições do ensino superior no país e de apoio às famílias que têm poucos rendimentos”, sustentou.

Lembrou, a esse propósito, que o PAICV quer discutir no Parlamento “de uma forma profunda e séria” a situação do ensino superior em Cabo Verde.

O acesso e a permanência dos jovens no ensino superior, a qualidade, a integração dos recém-formados no mercado de trabalho, o financiamento e sustentabilidade da formação superior, a sustentabilidade das próprias instituições do ensino superior são, entre outras, as preocupações do PAICV, disse Janira Hopffer Almada.

Entretanto, realçou ainda que a ciência e a investigação também preocupam o maior partido da oposição, razão por que defendeu a necessidade de Cabo Verde ter “uma efectiva agenda” para estimular e promover a sua qualidade de ensino.

“Estamos a auscultar as universidades e as instituições do ensino superior para podermos ter dados concretos, informações fidedignas e deste modo podermos levar preocupações claras e propostas concretas ao Parlamento”, explicou a presidente do PAICV aos jornalistas.

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