O vice-presidente do PAICV (oposição) acusou hoje o Governo de “impor pela força bruta”, o agendamento do debate sobre a regionalização sem qualquer negociação prévia ou tentativa de aproximação das posições.

Rui Semedo fez esta acusação em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira na Cidade da Praia, afirmando, que a maioria que sustenta o Governo, ”quer fazer passar a ideia de que o PAICV é contra a regionalização para se desfazer impunemente de um dos seus compromissos de campanha eleitoral”.

“Agindo desta forma o MpD e o Governo comprovam claramente que não estão interessados na Regionalização, com isto o primeiro-ministro confirma a suspeita de que não sabendo o que fazer com este seu compromisso de campanha, passados 02 anos das eleições, quer empurrar as culpas para o PAICV e lavar as mãos para, de um lado, se justificar perante os eleitores defraudados e por outro lado, cobrar do PAICV por não ter dado o seu voto favorável”, disse.

Para o vice-presidente do maior partido da oposição, quem age desta forma, “de má-fé, desprezando um dos seus principais interlocutores neste processo negocial” está a dizer, claramente, que “não está interessado na negociação, no entendimento e na criação de consensos”, para a aprovação desta iniciativa.

“Quando se quer entendimento, quando se sabe que se precisa do PAICV nós não atacamos não o interlocutor do dialogo, nós chamamos o interlocutor para a mesa de debate e não afugentamos o parceiro ” realçou, afirmando que quando o governo decidiu colocar sobre a mesa de debate, o PAICV não concordou por entender, que ainda “não estavam reunidas as premissas para se agendar ainda sem o total esclarecimento aos cabo-verdianos e sem uma negociação em sede do Parlamento para se encontrar os entendimentos”.

Disse, por outro lado, que o PAICV defende a Regionalização Administrativa enquadrada numa ampla Reforma do Estado, que passa pela redução da estrutura da Administração Pública, redução da estrutura do Parlamento, votação uninominal dos deputados e limitação dos mandatos.

“A democracia tem de se aperfeiçoar para permitir uma maior participação dos cidadãos na decisão. Os cabo-verdianos não conhecem bem as propostas de regionalização e sendo uma proposta tão importante na vida do país deveremos fazer tudo para que os cabo-verdianos conheçam bem o que que está em cima da mesa”, disse.

Entretanto, Rui Semedo fez saber que se maioria que sustenta o Governo insistir nessa via, não vai poder contar com os votos do PAICV e vai ter que “assumir as suas responsabilidades por esta inflexibilidade e falta de abertura para o diálogo e construção de entendimentos”, sublinhando, que o PAICV “está aberto para negociações” sobre esta matéria, mas “não está aberto para a imposição da maioria”.

“A nossa abertura é para se encontrar os entendimentos o mais urgente possível para que o país seja dotado das estruturas necessárias para a sua eficácia governativa e administrativa” avançou o vice-presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde.

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