O chefe do Governo reagia assim, pela primeira vez, à greve de três dias da Polícia Nacional (PN), que terminou às 00:00 horas de hoje.

Para o primeiro-ministro, as forças policiais existem para manter a segurança da população e do património e a boa imagem da segurança do país, considerando não serem admissíveis fenómenos desta natureza em Cabo Verde.

“Iremos tomar todas as medidas para responsabilizar aqueles que violaram e confrontaram de forma muito clara a lei da requisição civil e das manifestações”, adiantou Correia e Silva, citado pela agência cabo-verdiana de notícias Inforpress.

O primeiro-ministro assegurou que o Governo não dialoga “sob pressão, chantagem e muito menos sob violação das regras” a que se devem conformar as forças policiais num Estado de direito democrático.

Questionado sobre o futuro do relacionamento do Governo com a classe policial, Ulisses Correia e Silva lembrou que a maioria das forças policiais e dos agentes que integram a Polícia Nacional “não fizeram a greve e estiveram do lado da lei, respeitando o seu papel” e reafirmou que aqueles que “violaram, confrontaram e tentaram colocar o país numa situação de dificuldade” vão ter que responder.

O primeiro-ministro adiantou ainda que o executivo vai abordar e refletir com a sociedade cabo-verdiana a tomada de medidas para evitar que situações semelhantes se repitam, adiantando que estas poderão passar pela revisão do direito à greve nas forças policiais.

Ulisses Correia e Silva garantiu que o Governo tem estado a trabalhar para atender às reivindicações previstas no memorando de entendimento assinado com o Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol), adiantando que têm sido feitos esforços para melhorar as condições remuneratórias e os meios e equipamentos ao serviço da corporação.

O primeiro-ministro disse também que mantém a confiança na estrutura de comando da PN e no ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Quase metade dos mais de 1.800 polícias escalados para os três dias de greve da Polícia Nacional de Cabo Verde desrespeitaram a requisição civil do Governo, tendo-se realizado, em várias ilhas, manifestações não autorizadas dos polícias em greve.

O Sinapol estima uma adesão de mais de 90% nos três dias de paralisação, enquanto a direção da Polícia Nacional assegura que se situou ligeiramente acima dos 40%.

Os polícias reivindicam, entre outros pontos, atualização salarial em 2018, redução da carga horária e atribuição de subsídios e acusam o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, de não cumprir o memorando assinado em março e que levou à desconvocação de uma greve nessa altura.

Durante as manifestações, foi pedida a demissão de Paulo Rocha, com quem o SINAPOL assegura não há condições para negociar.

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