“Estamos trabalhando no sentido de em 2020 podermos não passar por situações do tipo, porque pensamos controlar isso biologicamente. Tal como estamos fazendo com a lagarta do cartucho do milho, existe um produto, um fungo, que combate o gafanhoto biologicamente”, avançou o diretor-geral, que falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, para fazer o ponto de situação do combate à praga no país.

Depois de três anos consecutivos de seca, voltou a chover este ano em Cabo Verde e uma praga de gafanhotos começou a afetar as terras áridas e semiáridas das ilhas de Santiago, Brava, São Nicolau e São Vicente.

O combate está a ser feito com produtos químicos, mas o diretor-geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária de Cabo Verde, José Teixeira, avançou que o país já está a pensar na construção de uma pequena fábrica para, a partir do próximo ano, começar a produzir um produto que combate os gafanhotos biologicamente.

“A estratégia do Ministério vai no sentido de utilizar menos químicos, dar o conforto aos consumidores”, prosseguiu, dizendo que se trata também do Ministério do Ambiente, que não pode estar a “fazer tratamento ao gosto do freguês, nesse caso do desespero da população”.

José Teixeira indicou que já há uma equipa no terreno a estudar os impactos ambientais e sociológicos da praga de gafanhotos, mas avançou que a maioria das pessoas dizem que há pelo menos 50 anos que não se via uma quantidade assim do animal.

“Mais isso pôs em teste a capacidade do Estado de Cabo Verde em enfrentar esse tipo de problema, porque quem viu todas essas zonas, Nossa Senhora da Luz, São Domingos, até chegar a Mitra, sabe que é uma situação completamente difícil de combater, mas nós podemos afirmar que estamos controlando isso”, garantiu o diretor-geral da Agricultura.

Nas declarações à imprensa, o técnico cabo-verdiano explicou que a “explosão fora do normal” de gafanhotos em Cabo Verde deu-se por causa da humidade provocada pelas chuvas de setembro e da alta temperatura, o que favoreceu a eclosão dos ovos.

Em meados de setembro, o Governo de Cabo Verde anunciou que a praga é uma situação de emergência e reforçou a campanha de combate com militares, tendo ao todo 98 tratadores, sendo 53 militares que foram formados para o efeito.

E depois dos meios rurais da ilha de Santiago, que já estão sob controlo, a praga atingiu o espaço urbano da capital do país, com José Teixeira a avançar que a situação ficou “um pouco mais expressiva”, com os animais a invadir as casas e os jardins, como é o caso da Cidadela, onde deu a conferência de imprensa.

Na capital do país, o diretor-geral disse que a prioridade foi dada ao Aeroporto Internacional da Praia Nelson Mandela, onde havia risco de aviões abortarem a aterragem por causa dos pássaros que vão lá para comer gafanhotos.

“Tivemos que intervir rapidamente com uma brigada, que ainda está lá para fazer prospeção”, referiu, indicando que, depois disso, as equipas foram chamadas para atuar nos palácios da Presidência, do Governo e da Assembleia Nacional.

O responsável aproveitou para tranquilizar a população, garantindo que os gafanhotos não transmitem qualquer doença ao homem, ao contrário do que acontece com os mosquitos.

“Queremos ter a confiança da população para saber que nós utilizamos produtos autorizados e menos tóxicos perto das casas”, mostrou José Teixeira.

Para já, o diretor-geral não arrisca avançar uma data para eliminar a praga do país, mas explicou que o gafanhoto tem um ciclo de vida de 24 dias, mas que todos não nasceram ao mesmo tempo.

“Enquanto tivermos comida, vamos ter gafanhotos. É por isso que o Ministério da Agricultura reforça o máximo possível o pessoal de terreno para, num curto intervalo de tempo, poder diminuir a população e repor o equilíbrio”, previu.

O diretor-geral disse que o país vai ter até cerca de quatro milhões de escudos cabo-verdianos (963 mil euros) de custos operacionais para o combate, mas sem incluir as viaturas e equipamentos de tratamento.

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