“Estamos a trabalhar para que, dentro de alguns meses, possamos efetivamente ter também uma experiência piloto do 5G em Cabo Verde”, disse Isaías Barreto, no ato oficial de lançamento da rede de quarta geração (4G) e entrega dos certificados de direitos de utilização de frequência às duas operadoras (CV Móvel e Unitel T+) que venceram o concurso lançado pela ARME.

O presidente reconheceu “algum atraso” com o lançamento do 4G, mas afirmou que o país quer estar “na crista da onda” e ser “um autêntico atalaia na torre” para que possa viver e estar num ambiente de “vigilância tecnológica” e tirar o maior proveito das potencialidades das tecnologias.

“As redes 5G certamente trarão também melhorias substanciais em termos de largura de banda, de diminuição da latência, com uma velocidade até de 100 vezes superior às redes de quarta geração”, afirmou.

Em julho, Cabo Verde tornou-se o primeiro país da África Ocidental a realizar uma conferência sobre as redes de quinta geração (5G), uma organização também da ARME, em parceria com a multinacional chinesa Huawei, e que contou com presença de membros do Governo e operadores de telecomunicações.

Na altura, o presidente disse que a ARME estava a realizar um estudo, em parceria com a Huawei, que iria dar “pistas importantes” e proporcionar uma “visão mais clara” sobre como deverá ser a tecnologia em Cabo Verde.

Questionado hoje sobre o assunto, Isaías Barreto disse que o processo está em curso, já há um trabalho feito e que a ARME está a analisar em que ilha será feita essa experiência piloto do 5G.

Relativamente ao 4G, a entrega dos certificados às duas operadoras é o culminar de um processo que arrancou com o concurso público lançado em dezembro e cujos resultados finais foram publicados em maio.

No mês seguinte realizou-se uma disponibilização experimental durante os Jogos Africanos de Praia, que aconteceram na ilha do Sal.

Seguiram-se depois experiências em São Vicente, na cidade da Praia e em todo o país, segundo o presidente da ARME, garantindo que já estão reunidas as condições técnicas e regulamentares para a imediata disponibilização comercial do serviço no país.

Entre as vantagens da rede de quarta geração, Isaías Barreto apontou a melhoria substancial na largura de banda, em alguns casos 500 vezes mais rápida do que o 3G, permite televisão de alta definição via internet e telemóvel, chamadas de vídeo de alta qualidade e navegação mais rápida.

“Vai trazer uma profunda transformação no contexto da conectividade das empresas e da população do nosso país”, salientou o presidente, afirmando que a agência reguladora está a trabalhar para melhoria da competitividade do mercado, que é aberto há vários anos.

Sobre as reclamações constantes da lentidão da internet em Cabo Verde, Isaías Barreto referiu que as redes de quarta geração poderão resolver esses problemas e que a ARME trabalha constantemente com as operadoras móveis para melhoria contínua da qualidade do serviço.

Enquanto o presidente da comissão executiva da Unitel T+, Inoweze Ferreira, salientou que a velocidade de banda larga vai abrir portas a muitos serviços, o administrador do grupo CV Telecom, João Domingos Correia, afirmou que se abre uma “nova era” nas telecomunicações no país com a rede de quarta geração.

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