Cabo Verde venceu a edição de 2019 do prémio internacional ˈMélina Mercouriˈ da UNESCO para Salvaguarda e Gestão de Paisagens Culturais, galardão que foi recebido pelo Instituto do Património Cultural (IPC) na sede da UNESCO em Paris, França.

Em nota, o Ministério da Cultura e das Industrias Criativas explica que Cabo Verde entregou a candidatura ao prémio para a salvaguarda do Parque Natural de Cova, no concelho do Paul e da Ribeira da Torre, no concelho do Ribeira Grande, ambos na ilha de Santo Antão e que integram a lista indicativa de Cabo Verde para UNECO, pelos critérios V, VII e X.

“A candidatura ao prémio  ˈMélina Mercouriˈ  da UNESCO atendeu a todo o valor cultural, natural, inter-relações entre os elementos do meio físico natural com a engenhosidade do homem que forjou a paisagem peculiar e à necessidade de implementar medidas que possam mitigar os efeitos exógenos e endógenos que perigam a sustentabilidade do Parque Natural da Cova e Ribeira da Torre,” lê-se na nota.

Ao candidatar-se ao prémio, segundo o MCIC, Cabo Verde propôs-se a cumprir os objetivos específicos estabelecidos no programa de desenvolvimento sustentável até 2030, por meio de programas de organização e capacitação das mulheres em cooperativas de transformação de produtos locais (artesanato, gastronomia, cestaria, turismo de habitação, guias turísticos), com vista a criar nichos de ofertas de produtos voltados para o turismo local.

A entrega do prémio foi feita pelo Ministro da Cultura e Desporto da Grécia, Styliani Mendoni, e pela Diretora Geral da UNESCO, Audrey Azoulay, numa cerimónia que aconteceu à margem da 40ª Conferência Geral da UNESCO, e foi testemunhado pelo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas que é, também, Presidente da Comissão Nacional de Cabo Verde para a UNESCO (CNU), Abraão Vicente.

O presidente do IPC, Hamilton Jair Fernandes, garantiu que o instituto irá trabalhar com “todos os parceiros locais”, especialmente com a comunidade, no processo de salvaguarda da paisagem cultural de Corda e da Ribeira da Torre.

Hamilton Jair Fernandes reforçou, ainda, que para o IPC e para Cabo Verde este prémio representa o “reconhecer do trabalho técnico e científico” que o instituto tem desenvolvido, e também é “um resultado concreto da aposta que o Governo de Cabo Verde” tem feito no sector, “mobilizando, cada vez mais, recursos para a investigação, a conservação e a reabilitação patrimonial.”

Para o ministro da cultura, Abraão Vicente, este prémio representa o confirmar de políticas acertadas para o sector e um acréscimo de responsabilidade na preservação e salvaguarda do legado cultural e natural do país.

O ministro felicitou, igualmente, a equipa técnica cabo-verdiana que preparou a candidatura, “demonstrando uma confiança crescente na expertise cabo-verdiana” para colocar o país “ao mais alto nível das melhores práticas mundiais.”

A candidatura cabo-verdiana foi elaborada pela equipa técnica do IPC formada pelo Diretor de Monumentos e Sítios, Jaylson Monteiro, os técnicos historiadores e gestores de património, Ivalena do Rosário, Edson Brito, José Landim, e a geógrafa, estagiária canarina, Isabel Esquível.

O prémio ˈMélina Mercouriˈ  , criado em 1995, leva o nome da ex-ministra de Cultura de Grécia, até então “firme e defensora” da conservação integrada. Concedido a cada dois anos, desde a sua primeira edição, já foram atribuídos seis prémios da Mélina Mercouri.

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