Cabo Verde e Portugal assinaram hoje um acordo de cooperação no sector da Justiça e, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Filipe Tavares, o arquipélago quer “aprofundar ainda mais” a cooperação judicial com este país europeu.

O protocolo ora assinado contempla a formação dos quadros dos diversos departamentos da Justiça, um sector, diz Luís Filipe Tavares, no qual, pelo seu papel, o país faz uma “grande aposta”.

“As relações entre Cabo Verde e Portugal estão num bom caminho e estão a fortalecer-se”, considerou o chefe da diplomacia cabo-verdiana durante uma conferência de imprensa, em que também esteve presente o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, que se encontra de visita oficial ao arquipélago.

Por sua vez, Augusto Santos Silva garantiu aos jornalistas que o seu país continua a apoiar o desenvolvimento da parceria especial entre Cabo Verde e a União Europeia, que, de acordo com as suas palavras, se trata de uma parceria de “ganhos recíprocos”.

“A União Europeia ganha sempre quando tem esta possibilidade de desenvolver e aprofundar as relações com um Estado de Direito e Democrático do belo e grande continente africano, como é Cabo Verde”, sublinhou o chefe da diplomacia portuguesa.

Augusto Santos Silva congratulou-se ainda com o facto de o arquipélago se ter manifestado o seu interesse em atribuir uma “importância acrescida” às questões da língua e da cultura durante a sua presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que deve acontecer a partir do segundo semestre deste ano.

Para o ministro português dos Negócios Estrangeiros, no âmbito da cooperação bilateral as questões da língua são “absolutamente decisivas” como, aliás, prossegue, “mostra bem” o seu programa de visita a Cabo Verde.

“A centralidade da língua e da educação na cooperação bilateral é, para nós, evidente”, precisou Santos Silva, acrescentando que no domínio do relacionamento económico, tendo em conta que Cabo Verde passa por “momentos de grande dinamismo”, é importante que as empresas portuguesas “saibam aproveitar as novas oportunidades que estão a surgir”.

Instado a se pronunciar sobre o desejo já manifestado por Cabo Verde de o português ser adoptado como uma das línguas oficiais das Nações Unidas, Augusto Santos Silva afirmou que o que todos os Estados membros da CPLP devem fazer é cumprir o que foi decidido no ano passado e designado como Plano de Acção de Díli, que visa “reforçar o Instituto de Língua Portuguesa”, sediado no arquipélago.

“O nosso objectivo, a médio prazo, é o de fazer do português uma das línguas oficiais das Nações Unidas e isso vai demorar tempo porque implica um esforço muito grande, mas está ao nosso alcance”, precisou.

Apontou a presença, a partir deste mês, de um leitor do português em Abuja (Nigéria), no quadro da Comunidade para o Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), resultado da colaboração entre o Instituto Camões e a Universidade de Cabo Verde, como esforço a favor da língua portuguesa.

 

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