A Casa-Museu Miguel Torga, em Coimbra, foi hoje classificada como monumento de interesse público face “ao seu interesse como testemunho notável de vivências e factos históricos” associados ao escritor.

A portaria que classifica o monumento, publicada hoje em Diário da República, salienta a conceção arquitetónica e urbanística da casa onde Miguel Torga viveu entre 1953 e 1995, bem como o seu interesse “como testemunho notável de vivências e factos históricos”.

“Esta casa, local de vivência não apenas familiar, mas também de sociabilidade intensa com amigos e outros interlocutores, desde políticos a intelectuais, corresponde não apenas ao `espaço físico` onde residiu Miguel Torga, mas ao local que foi testemunho de um percurso de vida inseparável da obra que este legou a Portugal e ao mundo”, salienta o documento.

A Casa-Museu é “um espaço privilegiado de memória destas vivências, quer por ser testemunha dos afetos trocados e das ideias ali expressas, quer por guardar os objetos do quotidiano, os móveis e as peças de arte adquiridos ao longo dos anos, quer, ainda e sobretudo, por ser o local onde o escritor produziu parte da sua obra”, refere a portaria.

A casa é “um imóvel com linhas simples e harmoniosas”, da autoria do arquiteto e amigo pessoal de Miguel Torga, Manuel Travassos Valdez.

Construída entre 1952 e 1953, integra-se numa época específica, “onde a prevalência de edificações ecléticas se cruzava com temáticas historicistas ou regionalistas”.

Após a morte do autor de “Contos da Montanha” e “Bichos”, a Câmara Municipal de Coimbra adquiriu a moradia, que a transformou em casa-museu, cuja inauguração decorreu em 2007, no centenário do nascimento do escritor.

Na casa, encontra-se “parte importante” do espólio do escritor, seja mobiliário, pintura ou escultura, bem como um “valioso fundo bibliográfico”.

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