“Este ano, vão estar presentes 280 pessoas da China e de Macau”, declarou Xu Yingzhen, secretária-geral do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau).

Além da presença de empresários chineses de todos os ramos de atividade, a vice-ministra do Comércio da China, Gao Yan, vai intervir no encontro, tal como o secretário da Economia e Finanças de Macau, Lionel Leong, e o secretário de Estado para a Internacionalização de Portugal, Eurico Brilhante Dias, entre outros, de acordo com o programa.

“Este é o maior encontro”, com a presença de empresários de vários ramos de atividade e de diferentes zonas da China, responsáveis de organismos oficiais e de bancos e instituições financeiras, frisou Glória Batalha Ung, secretária-geral adjunta indicada pela Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), destacando também a presença de perto de 90 empresários portugueses.

No encontro “China e Países de Língua Portuguesa – Uma nova abordagem pragmática” vão ser assinados mais 20 acordos entre a China e os Estados lusófonos presentes, acrescentou.

O objetivo deste encontro, organizado pelo Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China (CCPIT) e associações empresariais dos países-membros do Fórum Macau, é que “os empresários de cada país encontrem oportunidades de negócio”, disse Xu Yingzhen.

A deslocação a Lisboa concretiza também a decisão, tomada na última reunião ordinária do Fórum, em março, de realizar visitas regulares a todos os países-membros, todos os anos, para dar a conhecer os países e possíveis áreas de cooperação.

O organismo efetua ainda visitas regulares à China para apresentar os países lusófonos.

“Começamos em Portugal, seguindo depois um grupo para o Brasil e outro para Cabo Verde e Guiné-Bissau”, na mesma semana, explicou o secretário-geral adjunto indicado pelos países de língua portuguesa, Rodrigo Brum.

A secretária-geral do Fórum Macau considerou que Portugal, que sempre teve uma estreita ligação com Macau, pode trabalhar mais, em certos campos, com o organismo.

Xu Yingzhen destacou as áreas da ‘economia azul’ e das ‘startups’, lembrando o estabelecimento, no ano passado, em Macau, do centro de empreendedorismo jovem.

“O Governo português conhece este Fórum e presta atenção” ao trabalho aqui desenvolvido no âmbito da cooperação entre a China e o bloco lusófono, disse.

Para Xu Yingzhen, o balanço dos 15 anos do Fórum Macau é positivo.

“As trocas comerciais e o investimento entre a China e os países de língua portuguesa têm-se intensificado. Se em 2002, antes do estabelecimento do Fórum, o valor global das trocas comerciais era de cerca de seis mil milhões de dólares norte-americanos [5,1 mil milhões de euros], em 2017 foi de 117,6 mil milhões” de dólares (101 mil milhões de euros), indicou.

Quanto ao “investimento direto da China nos países lusófonos passou de 56 milhões de dólares norte-americanos em 2003 [48,3 milhões de euros], para cerca de 5,7 mil milhões de dólares americanos em 2016 [4,9 mil milhões de euros], sendo que o investimento total da China nestes países é de 50 mil milhões de dólares [43,1 mil milhões de euros]”, sublinhou.

O Fórum Macau trabalha para levar os empresários a concretizar negócios, disse.

“Somos um organismo governamental, quem aqui trabalha são representantes, enviados por cada uma das partes. Somos um secretariado e aplicamos as medidas definidas nas conferências ministeriais”, explicou Yu.

“Os contratos só podem ser assinados entre empresários e o nosso trabalho é guiar, quando detetamos uma área que pode ser interessante para todos os países participantes do Fórum”, acrescentou a secretária-geral.

Este Fórum trabalha “para intensificar a cooperação” entre a China e os países lusófonos, mas também os próprios países podem entre si detetar estas oportunidades”, reiterou.

Criado em 2003 por Pequim, o Fórum Macau tem um Secretariado Permanente, reúne-se a nível ministerial a cada três anos e integra, além da secretária-geral, Xu Yingzhen, e de três secretários-gerais adjuntos, oito delegados dos países de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

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