“Temos trabalhado com as principais instituições de previsão do nosso continente e a nível mundial e estamos em crer que vamos poder contar, pelo menos, com a produção de pasto, com bastante recarga [dos lençóis freáticos] e alguma produção de milho”, previu o ministro.

Gilberto Silva falava à imprensa no âmbito do lançamento oficial do Projeto de Ordenamento e Valorização da Bacia Hidrográfica de São João Baptista, no concelho da Ribeira Grande de Santiago.

O governante disse que foram as primeiras chuvas no país após dois anos consecutivos de seca e que as previsões apontam para mais eventos pluviométricos em todo o país durante o mês de setembro e outubro, pelo que só depois disso fará uma avaliação concreta do ano agrícola.

Apesar de não estar a contar com um ano muito bom, tendo em conta o atraso na queda das chuvas, Gilberto Silva salientou, entretanto, que é importante o país estar preparado para a campanha agrícola.

Quanto ao Governo, disse que “estará preparado para implementar as medidas que serão necessárias em todos os cenários possíveis”.

Depois da seca dos últimos dois anos, o ministro da Agricultura e Ambiente notou que os agricultores cabo-verdianos estão mais sensibilizados e mais resilientes em matéria de produção, recolha e conservação do pasto para os animais.

“Há muito mais trabalho de produção, mas também de recolha e conservação de pasto e vamos ter de continuar a impulsionar todo este movimento no sentido de podermos ter uma pecuária mais resiliente no país”, reforçou o ministro, em referência a algumas campanhas de sensibilização realizadas pelo Ministério em vários meios.

Após dois anos sem grandes chuvas no arquipélago, o ministro garantiu que o Governo já está e vai continuar a apoiar os agricultores com sementes e com outros materiais vegetais para produção, por exemplo, de mandioca e batata, para se tirar maior proveito da época pluviosa.

Segundo o governante, o que vai continuar também é a dessalinização de água do mar e reutilização da águas residuais tratadas.

“Cabo Verde não tem outro remédio senão preparar-se para podemos mobilizar mais água para a agricultura e depender muito menos desta variabilidade que as mudanças climáticas estão a impor-nos”, afirmou.

Gilberto Silva considerou igualmente que o país deve melhorar as formas existentes, como o aumento da recarga dos lençóis freáticos e retenção das águas superficiais.

“Tudo isto tem que ser feito também numa ótica de redução das perdas, porque é fundamental reduzirmos as perdas tanto da água que é fornecida às populações, mas também dá água que é colocada a favor do desenvolvimento da agricultura”, prosseguiu.

O ministro notou que a irrigação por alagamento provoca uma “grande perda” de água, pelo que, a par da mobilização de água, o Governo vai trabalhar fortemente para aumentar a taxa de penetração da irrigação gota a gota.

“Para que possamos, com a mesma quantidade de água produzir, mais e ter mais rendimentos”, terminou o titular da pasta da Agricultura e Ambiente em Cabo Verde.

O projeto de Ordenamento e Valorização da Bacia Hidrográfica de São João Baptista está orçado em 15 milhões de dólares, sendo que 13,5 milhões de dólares é financiado pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e o restante pelo Governo de Cabo Verde.

O projeto vai permitir aumentar a capacidade de recolha e armazenamento de água, desenvolvimento da agricultura, aumento da produção agrícola, conservação dos solos e redução da pobreza das populações da região, estimada em cerca de seis mil habitantes.

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