Cinco dos grandes devedores do Novo Banco, à data da última injeção de capital em junho do ano passado, provocaram perdas de 3.397 milhões de euros. No entanto, um dos grupo económicos representou a maior fatia das perdas totais registadas nesse período: 2.941 milhões de euros. Os dados constam do relatório do Banco de Portugal sobre os grandes devedores aos bancos que receberam ajuda pública durante os últimos 12 anos, divulgado esta terça-feira.

A informação foi divulgada sem nomes, mas com todos os restantes dados, que tinham sido exigidos pelos deputados. Desta forma, fica assegurada a proteção da informação que está abrangida por segredo bancário, mas é possível verificar que o grupo identificado com o código ‘130’, que registava uma exposição de 546 milhões de euros, provou 83% das perdas totais registadas à àquela data.

Os restantes quatro grupos económicos ficam muito abaixo deste, tendo o grupo identificado com o código ‘053’ provocado perdas de 128 milhões de euros, o ‘061’ registado perdas de 140 milhões de euros, o ‘066’ de 112 milhões de euros e o ‘055’ de 76 milhões de euros.

A divulgação da lista ocorre depois de em maio o supervisor ter divulgado publicamente parte do relatório com dados sobre a injeção de dinheiro público na banca, mas sem os dados agregados de todas as instituições que recorreram a fundos públicos nos últimos 12 anos: Caixa Geral de Depósitos, BES/Novo Banco, Banif, BPN, BCP e BPI.

Em causa estão posições financeiras de montante agregado superior a 5 milhões de euros, desde que igual ou superior a 1% do valor total dos fundos públicos mobilizados para essa instituição. Para cada uma das instituições foi definido o seguinte limite mínimo de posição financeira igual ou superior: para a CGD 62,5 milhões de euros, para o BPN 49,2 milhões de euros, para o BES/Novo Banco 43,3 milhões de euros, para o Banco Internacional do Funchal 33,6 milhões de euros, para o BCP 30 milhões de euros, para o BPI 15 milhões de euros e para o BPP 5 milhões de euros.

O Novo Banco é a instituição com maiores perdas, que inclui medidas de restruturação, write-off, cessão a terceiros com desconto e execução de garantias, tendo registado aquando da última injeção de capital a 30 de junho de 2018, perdas de 3.542 milhões de euros. Nesta altura, registava imparidades de 2.420 milhões de euros, com uma exposição 4.471 milhões de euros.

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