O grupo estatal cabo-verdiano Electra, de produção e distribuição de eletricidade e água, fechou 2018 com quase 95 milhões de euros de dívidas acumuladas dos clientes, prometendo agora “maior agressividade” na planificação dos cortes de fornecimento.

A informação consta do relatório e contas do grupo, a que a Lusa teve hoje acesso e que refere ainda, como medidas a implementar, entre outras, a “negociação de acordos de pagamento de dívidas vencidas de clientes com peso relevante na carteira de crédito”, como as também empresas estatais Águas de Santiago (AdS), Água e Eletricidade da Boavista (AEB), instituições do Estado e autarquias, entre outros.

No total, aquele grupo – que o Governo pretende privatizar e que envolve a Electra SA, Electra Norte e Electra Sul -, apresentava no final de 2018 dívidas acumuladas de clientes de mais de 10.466 milhões de escudos (94,5 milhões de euros), em que 74,1% estão vencidas há mais de um ano.

Trata-se de um crescimento de 8,3%, tendo em conta as dívidas acumuladas em 2017, que ascendiam então a 9.663 milhões de escudos (87,3 milhões de euros).

O grupo Electra fechou as contas de 2018 com uma faturação global de 9.687 milhões de escudos (87,5 milhões de euros), um aumento de 7,7% face ao ano anterior, mas com resultados líquidos do exercício negativos em 866 milhões de escudos (7,8 milhões de euros), um agravamento de 2,2% tendo em conta o registo de 2017.

No final do ano passado, mais de metade da dívida ao grupo, entre fornecimento de eletricidade ou água, era de clientes domésticos, com um total de 5.474 milhões de escudos (49,4 milhões de euros), um crescimento de 2% face a 2017, enquanto as autarquias deviam 1.644 milhões de escudos (14,8 milhões de euros), um aumento de 13,3%. Já as empresas privadas viram o volume da dívida ao grupo Electra descer 7,2%, para 1.504 milhões de escudos (13,5 milhões de euros).

Em matéria de “gestão da carteira de crédito de clientes”, o grupo Electra pretende aumentar a taxa de eficácia de cobranças para 102% em 2019 e o incremento de um ponto percentual nos anos seguintes, desde logo com a “introdução de uma maior agressividade na planificação das ações de cortes de fornecimento de eletricidade e água”. O relatório e contas aponta ainda que avançará “uma adequada monitorização e arrecadação das receitas” e a substituição de mais de 30.000 contadores pós-pago (eletricidade e água).

“Com destaque na migração de contrato pós-pago das instituições do Estado para o sistema pré-pago”, lê-se ainda.

No relatório do auditor independente às contas do último ano, a consultora PwC aponta dúvidas à recuperação das dívidas dos clientes e refere que o grupo apresentava a 31 de dezembro de 2018 um capital próprio negativo em 4.291 milhões de escudos (38,7 milhões de euros), pelo que, se não for tomada qualquer medida, “pode o acionista [Estado] ou qualquer credor requerer ao tribunal a dissolução da sociedade, enquanto aquela situação se mantiver”.

Além disso, o ativo realizável a curto prazo “é insuficiente para fazer face às responsabilidades de curto prazo”.

“Neste contexto, a capacidade de a empresa solver os seus compromissos e a evolução das suas atividades estão dependentes da manutenção do apoio financeiro do seu acionista, o Estado de Cabo Verde”, acrescenta o relatório do auditor independente.

O grupo Electra fechou o ano de 2018 com um total de 804 trabalhadores.

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