A presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Cabo Verde disse hoje que realizar boas eleições já não é suficiente para a democracia do país, mas sim a consolidação do processo, com mais participação e menos custos.

“Até hoje, Cabo Verde tem estado a fazer boas eleições, mas nós entendemos que boas eleições já não é suficiente para a nossa democracia. Neste momento, estamos à procura de dar passos para lançar grandes objetivos para a consolidação. E quando estamos a falar de consolidação, o primeiro aspeto que devemos considerar é o nível de participação dos cidadãos, de forma a conferir maior legitimação aos eleitos”, afirmou Maria do Rosário Gonçalves.

A presidente da CNE falava aos jornalistas no âmbito de um reflexão eleitoral que realiza na cidade da Praia com a participação de vários setores da sociedade, serviços e entidades do Estado, Igrejas, associações comunitárias, universidades, comunicação social, artistas, jovens, associações de deficientes e partidos políticos.

Maria do Rosário Gonçalves disse que a CNE quer que as eleições continuem a ser credíveis e que merecem confiança, mas com menos custos.

“E menos custos pressupõe a envolvência de todos os setores. Não podemos deixar toda a responsabilidade da sensibilização e educação para a participação para a CNE e para a administração eleitoral. As eleições são deveras importantes e não devem ficar apenas nas mãos dos políticos e dos órgãos da administração eleitoral. É preciso que a sociedade civil e todos os setores também apoderem-se das suas responsabilidades neste setor”, apelou.

Neste sentido, a dirigente pediu aos setores da sociedade civil e serviços do Estado que aloquem recursos públicos do seu funcionamento para a realização de eleições e sensibilização para uma maior participação dos cidadãos.

“Temos de ter claro que se nunca faltou recursos em Cabo Verde para realizarmos eleições, temos que ver que os recursos alocados podem deixar falta a outros setores da sociedade cabo-verdiana”, enfatizou.

Quanto aos partidos políticos, a presidente da CNE sublinhou a sua importância no processo eleitoral, pelo que durante o encontro será analisado até que ponto têm responsabilidade ou não no alegado afastamento dos cidadãos da vida política e das eleições.

“É necessário que os partidos políticos também façam interna e conjuntamente essas reflexões, encontrando pontes que lhes permitam aproximar-se dos eleitores, principalmente os eleitores jovens, reforçando a confiança para que estes participem cada vez mais nas eleições e no processo de escolha dos governantes”, reforçou.

O encontro de reflexão marca o início da preparação para o próximo ciclo eleitoral em Cabo Verde, com eleições autárquicas em 2020 e eleições legislativas e presidenciais em 2021.

O participantes vão traçar as grandes diretrizes, linhas e necessidades de um Plano de Ação para as eleições que a CNE vai elaborar, com apoio de um consultor internacional.

“Queremos que este Plano de Ação reflita a realidade cabo-verdiana, as expetativas da sociedade civil, dos partidos políticos, dos jovens, das associações comunitárias”, traçou Maria do Rosário Gonçalves, esperando igualmente que o documento seja ainda inclusivo.

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