A Coleção BPN (ex-Banco Português de Negócios), que foi adquirida pelo Estado por cinco milhões de euros no início deste ano, passando a integrar a Coleção do Estado, fica instalada em Coimbra, no Centro de Arte Contemporânea, a criar na cidade, anunciou em janeiro a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

A criação do Centro de Arte Contemporânea de Coimbra foi formalmente aprovada, por unanimidade, pelo executivo municipal, na reunião de segunda-feira.

O Centro de Arte Contemporânea em Coimbra, instituído pelo Ministério da Cultura “em articulação com o município”, fica, para já, em três dos quatro pisos de um edifício junto ao Arco de Almedina, na Baixa histórica da cidade, onde outrora funcionou o antigo Banco Pinto & Sotto Maior, adquiridos há mais de quatro anos pela autarquia, revelou, na ocasião, o presidente da Câmara de Coimbra, Manuel Machado.

O programa curatorial inaugural deste novo Centro de Arte Contemporânea é da autoria do curador David Santos, em parceira com José Maçãs de Carvalho, e arranca com o ciclo “De que é feita uma Coleção?” e com uma primeira exposição de uma série de três, intitulada “Corpo e Matéria”, que apresenta 46 obras da coleção, refere uma nota do Ministério da Cultura e da Câmara de Coimbra, enviada hoje à agência Lusa.

As instalações definitivas do Centro serão, após profundas obras de requalificação e adaptação, a antiga sucursal da Manutenção Militar em Coimbra (cujo imóvel passou do Ministério da Defesa para Câmara de Coimbra em maio de 2017), na Avenida Sá da Bandeira, a algumas centenas de metros do edifício que recebe provisoriamente a Coleção BPN.

Este novo equipamento cultural de gestão municipal, que resulta de um trabalho conjunto entre o Governo, através do Ministério da Cultura, e a Câmara de Coimbra, reunirá 193 obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, fundamentalmente de artistas portugueses, de várias épocas e gerações, indica a mesma nota.

O Ministério da Cultura e a Câmara de Coimbra já acordaram, através de um protocolo entre a Direção Geral do Património Cultural e o município, representadas por Bernardo Alabaça e Manuel Machado, respetivamente, que a coleção ficará na cidade pelo prazo de 25 anos, que poderá ser renovado por acordo das partes por igual período.

O destino da Coleção BPN aguardava decisão do Governo desde a nacionalização daquela instituição bancária, em 2008.

Para além de três quadros da pintora Maria Helena Vieira da Silva, entretanto depositados, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva (onde se manterão), o acervo de obras de arte do ex-BPN reúne obras de artistas consagrados como Paula Rego, Amadeo de Souza-Cardoso, Mário Cesariny, Rui Chafes, Eduardo Batarda e António Dacosta.

Deste acervo saiu a polémica Coleção Miró, que estava para ser vendida no estrangeiro, mas acabou por ficar em Portugal (no Porto, na Fundação de Serralves).

João Pedro Vale, Pedro Calapez, Carlos Calvet, Vasco Araújo, Joaquim Rodrigo, Ana Vidigal, Eduardo Nery, João Penalva, Fernando Calhau, João Vieira, Nadir Afonso, Eduardo Batarda, António Sena, José Pedro Croft, Nikias Skapinakis, João Penalva, Pedro Casqueiro, Jorge Martins e Carlos Calvet também estão representados na coleção.

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