Patrice Trovoada foi eleito numa lista única que elegeu como primeiro e segundo vice-presidentes Orlando da Mata, empresário, e Selmira Fernandes, deputada da Assembleia Nacional.

No discurso dirigido aos congressistas, Patrice Trovoada, que suspendeu as suas funções de líder da ADI cerca de dois meses após ter perdido as legislativas de outubro do ano passado, atacou duramente os responsáveis da nova direção da ADI, já sufragada pelo Tribunal Constitucional (TC).

“Nos últimos meses, algumas pessoas no nosso seio precipitaram-se, não pensaram no partido e na sua reestruturação e em busca de novos paradigmas”, disse o ex-primeiro ministro, que acusou a liderança de Agostinho Fernandes de ter sido legitimada “administrativamente e fruto de combinações obscuras”.

“Serviram-se do ADI para a concretização de planos pessoais, transformando o nosso partido não numa força de mudança e de política social, num banal componente de política de repartição consensual de poder com pessoas bem identificadas”.

No seu longo discurso ao congresso, Patrice Trovoada acusou ainda a nova direção da ADI de comportamento “mesquinho e maléfica ambição” por ter “vendido a sua alma ao diabo, embriagando-se pelas atuais mordomias que o poder confere”.

O reeleito presidente acusou ainda toda a direção legitimada da ADI de se “deixar embriagar pelo dinheiro e virar as costas à casa em que nasceram”, para se “banquetearem com os carrascos”.

Os trabalhos do congresso arrancaram com um atraso de cerca de duas horas, num ambiente marcado por grande hostilidade contra jornalistas dos órgãos públicos de comunicação social.

Um numeroso grupo de delegados ao congresso expulsou jornalistas da televisão pública (TVS) da sala, impedindo-os de fazer a cobertura do evento.

É ainda de lembrar que Patrice Trovoada é suspeito de prática de vários atos de corrupção realizados durante a sua governação, incluindo os das dívidas ocultas denunciados pelo FMI. Os seus opositores políticos acusam-no de práticas anti-democráticas visando a desunião e divisão interna da ADI, pretendendo reivindicar para si o título de propriedade desse partido político.

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