Em entrevista à agência de notícias EFE na sede da 25.º cimeira sobre o clima das Nações Unidas (COP), que começou na semana passada em Madrid, António Guterres recordou que “a tradição das COP é que as decisões se tomam no final”.

No entanto, o secretário-geral da ONU defendeu que para a COP25 ser “muito relevante” tem que conseguir “implementar o artigo 6 do Acordo de Paris, que é essencial para os mercados de carbono”.

O artigo 6 diz respeito à redução de emissões de gases com efeito de estufa.

António Guterres disse ainda que seria necessário que “os países que têm emissões mais fortes demonstrassem que estão dispostos a considerar melhorias importantes” nas suas reduções, que se plasmarão no próximo ano na Cimeira que se realiza em Glasgow.

A Escócia será o próximo palco dos países que em 2020 terão de apresentar os seus compromissos para “garantir uma ambição muito maior do que a que temos agora”, lembrou Guterres.

O secretário-geral da ONU lembrou que o objetivo é caminhar para se conseguir a neutralidade carbónica até 2050 e, até ao final do século, um aumento da temperatura de 1,5 graus.

Guterres sublinhou ainda que “seria muito importante” que na Cimeira de Madrid fosse dado “um sinal sobre a importância da adaptação das alterações climáticas, que já está a ter consequências terríveis, sobretudo, sobre os países mais frágeis”.

Em entrevista a agência EFE, o secretário-geral da ONU reconheceu que a organização que preside tem “uma posição privilegiada para interpelar os países com emissões mais elevadas e fazê-los compreender que têm uma responsabilidade particular para a preservação do planeta”.

Durante a entrevista, António Guterres aplaudiu ainda a “absolutamente admirável organização espanhola” que apenas em três semanas conseguiu fazer “algo único na história” das cimeiras climáticas.

A COP25 deveria ter-se realizado no Chile, mas devido à situação social do país acabou por ser transferida para Madrid. Hoje Guterres saudou a “capacidade de organização e a ação muito notável por parte de Espanha” que em apenas três semanas preparou um evento desta dimensão.

O secretário-geral da ONU salientou ainda a cooperação entre o Chile e Espanha que “deveria ser praticado por outros em muitas outras circunstâncias”.

Publicidade