“A nova política adotada ontem [quinta-feira] não afetará os empréstimos ou financiamentos em curso do BEI para projetos atualmente em avaliação”, informou fonte oficial da instituição em resposta escrita enviada à agência Lusa.

A mesma fonte precisou na resposta à Lusa que isso acontece por a decisão adotada pelo Conselho de Administração do BEI – de reduzir, faseadamente, o apoio financeiro dado a projetos que envolvam combustíveis fósseis, entre os quais gás – não ter efeitos retroativos e só entrar em vigor no final de 2021.

Além de financiar projetos na Europa, o BEI tem também vindo a suportar investimentos noutros continentes, como o africano, nomeadamente em Moçambique, onde tem existido uma grande aposta na área do gás natural liquefeito (LNG).

No início desta semana, por exemplo, vários financiadores manifestaram interesse em investir 1,3 mil milhões de dólares (1,179 mil milhões de euros) na participação acionista da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), no consórcio de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma, norte de Moçambique.

Segundo a informação divulgada nessa altura, 60% do projeto será comparticipado por financiamentos de instituições financeiras. Entre os investidores, contam-se os principais bancos sul-africanos, o Banco Africano de Desenvolvimento, além de instituições financeiras da União Europeia e ainda do Médio Oriente.

O projeto de gás natural na Bacia do Rovuma deve entrar em produção no final de 2024.

Criado em 1958, o BEI levanta dinheiro nos mercados de capitais e empresta-o em condições favoráveis a projetos que apoiem os objetivos da UE. Cerca de 90% dos empréstimos são concedidos para investimentos dentro da União, enquanto os restantes dizem respeito a iniciativas noutras partes do mundo.

A política adotada na quinta-feira pelo Conselho de Administração do BEI visa, também, tornar esta numa instituição mais ‘verde’, por prever um aumento das metas climáticas, área que passa nos próximos anos a representar 50% dos empréstimos concedidos quando hoje em dia equivale a 25%.

As medidas visam ainda total alinhamento com o Acordo de Paris, assinado em 2015 para o combate às alterações climáticas.

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