A ação do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a combater a pandemia da Covid-19 está a suscitar críticas por parte da Argentina, cujos responsáveis estão preocupados com a circulação transfronteiriça.

O Presidente argentino, Alberto Fernández, alertou que novos casos de Covid-19 no país podem surgir pela entrada de brasileiros através de passagens clandestinas pelo rio Uruguai, fronteira natural entre os dois países.

O rio que separa de forma natural o Rio Grande do Sul da província argentina de Misiones está no seu nível mais baixo, permitindo que seja possível atravessá-lo a pé.

“O que está a acontecer no Brasil é motivo de preocupação para províncias argentinas como Misiones. O Sul do Brasil tem um nível de desenvolvimento da infeção muito alto e, como o rio Uruguai está virtualmente seco porque não tem chovido o suficiente, toda a parte leste de Misiones tornou-se uma fronteira seca. Por essa via, passam muitas pessoas”, alertou Alberto Fernández.

“Isso nos preocupa porque o desenvolvimento do vírus no Brasil ganhou uma dimensão que todos conhecemos”, insistiu o presidente argentino durante o anúncio de uma nova extensão da quarentena argentina até dia 28 de junho, totalizando 100 dias de confinamento.

Mais cedo, numa videoconferência organizada pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos na Argentina, o ministro argentino dos Negócios Estrangeiros, Felipe Solá, disse que “a Argentina ajudaria o Brasil” a combater a pandemia “se o presidente Jair Bolsonaro pedisse”, mas, esclareceu que “ainda não foram resolvidos os problemas bilaterais” e que “o governo argentino não concorda com a forma de o governo Bolsonaro lidar com a pandemia”.

“O Brasil não nos pediu assistência, mas nós ajudaríamos. O povo brasileiro é irmão. Há 28 anos, temos o Mercosul. Podemos não concordar com a forma de o governo (Bolsonaro) lidar com o assunto, mas é um país enorme”, disse Solá, quem admitiu ainda existir atrito diplomático com o Brasil.

“Ainda não resolvemos os nossos problemas (com o Brasil)”, afirmou.

Os ataques entre Jair Bolsonaro e Alberto Fernández começaram em junho do ano passado, quando Bolsonaro começou a fazer campanha a favor da reeleição do ex-Presidente, Mauricio Macri durante a campanha eleitoral argentina.

No mês seguinte, Alberto Fernández visitou Lula da Silva na prisão e depois, em outubro, durante o seu discurso de vitória, pediu a liberdade de Lula. Quando Lula da Silva foi libertado em novembro, Alberto Fernández, já eleito, recebeu a ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff.

Até hoje, Bolsonaro não cumprimentou Fernández pela vitória nas urnas e não foi à posse do Presidente argentino em dezembro. Bolsonaro já alertou para o risco de Fernández transformar a Argentina numa nova Venezuela. E Fernández respondeu que as críticas vindas de um “racista, misógino e violento” só o beneficiavam.

Com perto de 35 mil mortos e mais de 600 mil infetados, o Brasil só é superado pelos Estados Unidos como o local de maior impacto da pandemia, que teve início em dezembro na China.

Já a argentina tem apenas 615 mortos e 20 mil infetados com a doença que já causou quase 400 mil vítimas mortais em todo o mundo.

Publicidade