A balança comercial brasileira registou, no primeiro trimestre do ano, o seu pior resultado desde 2015, encerrando com um excedente de 6,1 mil milhões de dólares (5,5 mil milhões de euros).

Os resultados, divulgados na quarta-feira pelo Ministério da Economia, refletem o impacto económico face ao surto do novo coronavírus.

O resultado do primeiro trimestre de 2020 é 32% inferior ao registado no período homólogo do ano passado, quando a balança comercial registou um excedente [quando as exportações superam as importações] de nove mil milhões de dólares (8,2 mil milhões de euros).

“O comportamento do trimestre foi influenciado, entre outros fatores, por um comércio mundial pouco dinâmico, agravado pela pandemia da covid-19”, afirmou o subsecretário de Estatísticas do Comércio Exterior do Ministério da Economia, em comunicado.

Segundo Herlon Brandão, as exportações brasileiras caíram no trimestre, principalmente em março, não apenas pela queda da procura de outros países, mas também pela descida dos preços de matérias-primas e alimentos, dos quais o Brasil é um importante fornecedor mundial.

Segundo o Ministério, o preço da soja exportada pelo Brasil caiu 4% em relação ao mesmo trimestre de 2019, o do petróleo 9,9% e o da celulose 29,1%.

“Os países adotaram medidas severas para diminuir o ritmo de contágio da covid-19 e o bloqueio total que a China impôs em Wuhan tornou-se num modelo para outros países. Além do encerramento de fronteiras, diferentes países adotaram medidas como o cancelamento de eventos, o fecho fábricas e comércios e a restrição à circulação de pessoas”, afirmou o subsecretário.

Segundo Brandão, as exportações brasileiras para a China cresceram 4,3% no primeiro trimestre, apesar das restrições impostas pelo gigante asiático, que é o principal parceiro comercial do Brasil.

As exportações brasileiras caíram 2,1%, de 51,1 mil milhões de dólares (46,7 mil milhões de euros) no primeiro trimestre de 2019 para 50 mil milhões de dólares (45,6 mil milhões de euros).

Já as importações aumentaram 4,31%, de 42,1 mil milhões de dólares (38,4 mil milhões de euros) para 43,9 mil milhões de dólares (40,1 mil milhões de euros).

Tendo em conta apenas o mês de março, o Brasil registou um excedente de 4,7 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros), com crescimento de 9,7% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

As exportações aumentaram 10,4% em março face ao mesmo mês de 2019, enquanto as importações cresceram 10,6%.

“Ao analisar a trajetória da média diária das exportações, é possível observar que as vendas para a China apresentaram um nível baixo em janeiro, provavelmente devido à evolução da covid-19 no país asiático, e recuperaram nos meses seguintes”, afirmou Brandão.

Por outro lado, as exportações para os Estados Unidos, União Europeia e Argentina, que acompanham a China como os maiores parceiros comerciais do Brasil, cresceram entre janeiro e fevereiro e caíram em março, “provavelmente devido às medidas para impedir a pandemia”, segundo avaliou a tutela da Economia.

O Ministério reconheceu que a queda nas exportações, provocada pela redução da atividade mundial face ao novo coronavírus, pode apenas refletir-se nos próximos meses, uma vez que muitas das contratações foram efetuadas antes da crise.

O número de mortos devido ao novo coronavírus nas últimas 24 horas no Brasil foi de 40, a que se somam 1.119 casos confirmados, o que eleva para um total de 241 óbitos e 6.836 infetados, anunciou na quarta-feira o Governo brasileiro.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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