O Banco Central do Brasil prevê que a procura por crédito bancário no país crescerá 7,6% neste ano devido aos impactos económicos provocados pela pandemia da covid-19, segundo um relatório hoje publicado.

A entidade reviu a sua projeção sobre a evolução do saldo credor em 2020, que passou de um aumento de 4,8%, estimado em março, para uma subida de 7,6% em junho.

“O aumento na estimativa reflete a expansão do volume de empréstimos desde meados de março”, devido ao impacto da pandemia, afirmou o Banco Central, no seu relatório sobre economia bancária.

O órgão também apontou que a falta de liquidez e a redução de renda, como resultado das medidas de isolamento social adotadas na maioria dos estados e municípios brasileiros para impedir a expansão do novo coronavírus, levarão empresas e famílias a ficarem mais endividadas.

Nesse contexto, o Banco Central realizou uma pesquisa entre 27 de abril e 05 de maio que mostrou que os bancos esperam um crescimento de 2,8% neste ano na procura por crédito de grandes empresas.

A pesquisa também antecipou um aumento de 5% no crédito para micro, pequenas e médias empresas e 6,2% para particulares. Esta última percentagem é menor do que a registada em março, quando a previsão era de um crescimento de 12%.

De acordo com a mais recente previsão do mercado financeiro, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deverá recuar 6,25% em 2020, por causa da crise do novo coronavírus.

A recessão histórica para a qual a economia brasileira caminha começou a ser sentida no primeiro trimestre, quando o PIB do país contraiu 1,5% face aos últimos três meses de 2019.

O relatório do Banco Central brasileiro também indicou que o crédito manteve em 2019 a tendência de aceleração dos últimos anos, com um aumento de 6,5%, perante o registo de uma subida de 5,4% em 2018.

Da mesma forma, os bancos do país aumentaram a sua rentabilidade financeira pelo terceiro ano consecutivo, que passou de 14,8% em dezembro de 2018 para 16,5% no mesmo mês de 2019.

O Banco Central brasileiro também destacou que o setor ainda apresenta um alto grau de concentração, uma vez que os cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Económica Federal e Santander) possuíam 81% do total de ativos financeiros em 2019.

Desde que chegou ao Brasil no final de fevereiro, o novo coronavírus matou 32.548 pessoas e infetou mais de 587 mil, segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infetou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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