Cabo Verde vai aliviar quinzenalmente as restrições impostas para conter a pandemia de covid-19, conforme plano de desconfinamento até outubro, que entrou hoje em vigor, mas que poderão ser revertidas em caso de agravamento da transmissão.

“A calendarização prevê um intervalo de pelo menos 15 dias entre cada fase, para avaliação dos impactos do levantamento das medidas na evolução da pandemia, pela Direção Nacional de Saúde”, lê-se na resolução do conselho de ministros, que aprova a estratégia de levantamento gradual de medidas restritivas e de distanciamento social.

O documento, publicado sexta-feira e que entrou hoje em vigor, apresenta igualmente a calendarização da execução dessa estratégia, mas ressalva: “Compete à Direção Nacional de Saúde emitir relatórios quinzenais de avaliação da evolução da pandemia e de recomendação sobre eventuais medidas que devam ser adotadas, alteradas ou reintroduzidas”.

Paralelamente, mantém-se a obrigatoriedade de regras de distanciamento social e de uso de máscara para prevenir a transmissão da doença.

A ilha de Santiago deixou hoje de estar em estado de emergência, precisamente dois meses depois de decretado o primeiro período, mas continua a ser única com casos ativos de covid-19.

Cabo Verde regista hoje um acumulado de 421 casos da doença, distribuídos pelas ilhas de Santiago (362), Boa Vista (56, todos recuperados) e São Vicente (3, todos recuperados). No total, registaram-se quatro óbitos, dois doentes transferidos para os seus países e os 167 recuperados, fazendo com que o país tenha atualmente 248 casos ativos, todos em Santiago e essencialmente na Praia.

O “levantamento gradual das medidas restritivas”, sublinha a resolução, “obriga ao cumprimento de condições gerais de segurança sanitária, designadamente de higienização regular dos espaços, higiene das mãos, etiqueta respiratória, utilização de máscaras faciais e a prática do distanciamento físico em locais públicos”.

Além disso, também estabelece que o Governo “concede incentivos às empresas e outras organizações privadas no esforço de adaptação da sua atividade”.

“Visando o ajustamento dos métodos e procedimentos de organização do trabalho e da forma de relacionamento com clientes, fornecedores e utentes, de forma a garantir o cumprimento das normas de segurança sanitária estabelecidas e das recomendações das autoridades competentes”, lê-se na resolução.

Nas ilhas sem casos de covid-19 ativos (todas, com exceção de Santiago), o calendário prevê para 01 de junho a abertura da restauração após as 21:00 e a retoma das ligações marítimas de passageiros para a ilha da Boa Vista (que só este mês deixou de ter casos ativos).

Em 15 de junho passam a ser permitas visitas a lares e centros de idosos, hospitais, estabelecimentos prisionais, bem como retomados os transportes públicos terrestres e a atividade de ginásios (na ilha de Santiago só em 15 de julho).

Em 30 de junho serão retomadas todas as ligações aéreas interilhas, suspensas no final de março, e em 15 de agosto reabertos campos, pavilhões e outras infraestruturas para prática desportiva, mas com restrição de público (na ilha de Santiago apenas em 15 de setembro).

Em 01 de outubro voltam a ser permitidos, em todo o país, eventos públicos com aglomeração de pessoas, atividades desportivas e de lazer com público e reabertas as discotecas.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 364 mil mortos e infetou mais de 5,9 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,4 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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