Cabo Verde reabre em julho como “destino turístico”, voltando a receber visitantes estrangeiros e com todos os operadores do circuito obrigados a um selo de segurança sanitária, anunciou hoje o Governo.

Em comunicado, o Ministério do Turismo e Transportes refere que “o trabalho de preparação do país, enquanto destino turístico, está em curso, por forma a receber os turistas com segurança e tranquilidade”.

O Governo defende que “a planificação deverá ser cuidadosa e a reabertura gradual” para que “o sucesso no combate à covid-19, nas principais ilhas turísticas, continue a ser consolidado, gerando confiança e credibilidade dos operadores, dos turistas, dos colaboradores e do público em geral”.

O Governo de Cabo Verde suspendeu em 19 de março todas as ligações aéreas internacionais, autorizando apenas voos de repatriamento pontuais, como forma de conter a progressão da pandemia de covid-19 no arquipélago.

Apesar de assumir que está prevista a “reabertura do destino turístico Cabo Verde” em julho, para receber visitantes estrangeiros, aquele ministério também sublinha que a retoma desses voos também depende do levantamento das restrições de viagens que foram aplicadas nos países de origem.

Acrescenta que a tutela do Turismo está a desenvolver “com caráter de urgência” um “pacote de medidas de fundo” para “mitigar os impactos nefastos previstos na economia e promover a retoma da atividade económica de forma segura e consistente”.

Desde logo, está prevista a implementação do conceito “Cabo Verde – Turismo Seguro”, que consiste num conjunto de “boas práticas”, procedimentos de higienização de aviões, ‘transfers’, aeroportos, táxis, hotéis, restaurantes, bares, serviços, normas para concentração de pessoas, unidades de tratamento médicos, pessoal médico especializado, tudo para “garantir condições de segurança sanitária no país”.

“Implementando esta regras, similares às da União Europeia, todos os atores que integram o circuito do turista serão certificados com um Selo de Segurança Sanitária, de acordo com legislação criada e desta forma o país estará em condições para acolher turistas em segurança. Este processo vai ser materializado, faseadamente, conforme as condições epidemiológicas o permitirem, em todas as ilhas de Cabo Verde”, garante ainda o Ministério do Turismo.

Além disso, as duas principais ilhas turísticas vão contar com um reforço na área das infraestruturas da Saúde, com um novo centro de saúde em Santa Maria (Sal) e a remodelação do existente em Sal Rei (Boa Vista).

“Estes centros de saúde serão dotados de equipamentos médicos, recentemente adquiridos na Bélgica e na China, transformando-os em unidades de diagnóstico e de tratamento no âmbito da covid-19”, conclui o comunicado.

O estudo estatístico do turismo em Cabo Verde em 2019 confirmou em abril que as unidades hoteleiras cabo-verdianas receberam 819.308 hóspedes, um aumento de 7% face a 2018, e 5.117.403 dormidas, um crescimento também homólogo de 3,7%.

Apesar destes números, o vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, já admitiu anteriormente que o país deverá perder meio milhão de turistas em 2020, quebra superior a 60% face a 2019, além de um corte de 4% no Produto Interno Bruto (PIB), devido à covid-19.

“A economia de Cabo Verde vai perder cerca de 500 mil turistas este ano, em relação a 2019. Com isso, o país vai ter uma redução de cerca de três milhões de dormidas”, afirmou.

Cabo Verde regista 390 casos acumulados de covid-19, desde 19 de março, distribuídos pelas ilhas de Santiago (331), Boa Vista (56) e São Vicente (03). Contudo, desde terça-feira que não são feitos testes às amostras recolhidas pelas autoridades de saúde, devido a um problema com reagentes no Laboratório de Virologia do país.

Do total, registaram-se quatro óbitos, dois doentes transferidos para os seus países e 155 doentes recuperados, fazendo com que o país tenha neste momento 229 casos ativos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 360 mil mortos e infetou mais de 5,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.256 casos e oito mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (1.043 casos e 12 mortos), Cabo Verde (390 casos e quatro mortes), São Tomé e Príncipe (458 casos e 12 mortos), Moçambique (234 casos e dois mortos) e Angola (77 infetados e quatro mortos).

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