“Se não houver medidas sérias e urgentes por parte do Governo, muitas empresas serão obrigadas a fechar portas, o que seria extremamente perigoso” disse hoje à Lusa o responsável da CCIAS, Jorge Correia, explicando que os efeitos das medidas impostas pelo executivo para evitar a entrada e propagação da covid-19 no país “estão a levar muitas empresas ao descalabro”.

“São medidas necessárias, nós apoiamos todos, temos que apoiar, mas, por outro lado, a nossa preocupação é que as empresas não fechem as portas e que consigamos manter os trabalhadores ativos”, referiu.

A CCIAS remeteu, há cerca de duas semana, uma carta ao executivo com algumas propostas, destacando-se entre elas a liquidação das dívidas do Estado às empresas.

“A primeira coisa que propusemos ao Governo é que neste período em que quase tudo está parado, o Governo deve fazer algum esforço e liquidar todas as dívidas para com as empresas privadas”, indicou o presidente da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços.

Outra proposta da CCIAS ao Governo é a suspensão do pagamento pelas empresas de impostos, como IRS, IRC e outros, alegando que neste momento, “as empresas não estão em condições de os pagar”.

A CCIAS quer também que o Governo, liderado por Jorge Bom Jesus, sirva de “intermediário junto dos bancos” para conseguir uma moratória para o pagamento dos créditos que muitas dessas empresas têm junto da banca.

“No momento das ‘vacas gordas’, os bancos beneficiam e este momento em que a situação está difícil, todos nós temos que fechar as bolsas”, comentou Jorge Coreia.

A carta remetida ao executivo aborda a situação dos vários setores da economia do país, particularmente do setor hoteleiro e da restauração, cuja situação o presidente da CCIAS classifica como “lastimável”. A mensagem enviada ao executivo visa evitar a “falência em massa das empresas”.

“Para todos os setores que se relacionam com o turismo, a situação é deveras preocupante. Não havendo transporte, que é um dos instrumentos principais para movimentar esse setor, por causa do período de emergência decretado pelo Governo, a ocupação dos hotéis, residenciais e pensões e a restauração está tudo praticamente morto”, lamentou Jorge Coreia.

Lembrou ainda a relação que o turismo e hotelaria têm com vários setores, desde a agricultura até aos artesãos.

“Isso implica que se não houver medidas da parte do Governo que se adaptem às realidades atuais, muitas empresas irão fechar as portas, o desemprego dispara, a delinquência aumenta e isso é extremamente perigoso”, alertou o responsável.

O responsável considerou que atualmente apenas o setor do comércio, e particularmente o comércio de produtos alimentares poderá funcionar, desde que o país tenha capacidade de importação.

“É precoce projetar já os impactos que, efetivamente, poderá ter o coronavírus para uma economia como a nossa, já de si débil, mas, pelo facto de aparecer essa pandemia, as coisas tendem a agravar-se”, lamentou Jorge Correia.

O presidente da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços defende, por isso, a criação de um plano de contingência e que sejam encontradas linhas de créditos bonificados para ajudar as empresas em crise, garantindo que se a economia do país não for “salvaguardada e as empresas entrarem em falência, o próprio Estado fica abalado”.

São Tomé e Príncipe é o único país lusófono – e um dos poucos em África – que não tem qualquer caso registado de infeção por covid-19.

O país está em estado de emergência, em vigor desde 20 de março e que foi renovado, na passada sexta-feira, por um novo período de 15 dias.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou cerca de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 63 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 220 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em África subiu para 360 nas últimas horas num universo de mais de 8.500 casos registados em 50 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

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