O compositor e escritor brasileiro Aldir Blanc, autor de canções clássicas como “O Bêbado e a Equilibrista”, imortalizada na voz de Elis Regina, morreu hoje aos 73 anos, num hospital no Rio de Janeiro, vítima do novo coronavírus.

Blanc estava internado desde 14 de abril numa unidade de terapia intensiva do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. O compositor havia procurado atendimento médico em 10 de abril, com uma infeção urinária e pneumonia, e acabou transferido para o hospital universitário cinco dias depois.

Nascido no Rio de Janeiro, a carreira de Aldir Blanc como escritor e cantor não teve o sucesso retumbante que o estabeleceu como compositor, com letras cantadas por outros artistas que se tornaram verdadeiros clássicos da música popular brasileira (MPB).

“Dois pra lá, Dois pra cá” e “O Bêbado e a Equilibrista”, cantados por Elis Regina, “A viagem”, interpretada pela banda Roupa Nova, “O mestre Sala dos Mares” e “Kid Cavaquinho”, de João Bosco, e “Resposta ao tempo”, de Nana Caymmi, são alguns dos sucessos de sua autoria.

O compositor ‘carioca’ também marcou uma época quando milhares de brasileiros escolheram o caminho do exílio no período em que o Brasil viveu numa longa ditadura militar, entre 1964 e 1985.

Os primeiros retornos dos exilados ocorreram antes do regresso da democracia, com a Lei de Amnistia, promulgada em 1979. A espera dos amnistiados foi imortalizada numa canção popular de Blanc, pela música “O Bêbado e a Equilibrista” de João Bosco, cantada por Elis Regina.

“Meu Brasil, que sonha com o retorno do irmão de Henfil [ativista dos direitos humanos], com tantas pessoas que partiu, num rabo de foguete. Chora. A nossa pátria gentil. Choram Marias e Clarisses. No solo do Brasil”, diz a letra daquela canção.

Além de compostor, seu trabalho como cronista e contista rendeu vários livros, entre eles “Rua dos Artistas e Arredores”, “Porta de tinturaria”, “Brasil passado a sujo” , “Vila Isabel – Inventário de infância”, entre outros.

Blanc também escreveu crónicas para jornais de grande circulação no Brasil, como O Estado de S. Paulo e O Globo.

O Brasil registava até domingo 101.147 casos confirmados e 7.025 mortes provocadas pelo novo coronavírus.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 247 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

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