O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou que abriu uma linha de compra de Obrigações do Tesouro detidas pelas pequenas e médias empresas, permitindo a injeção de quase 170 milhões de euros na economia.

“O Banco Nacional de Angola considerou oportuno implementar medidas para permitir que pequenas e médias empresas possam transformar determinadas Obrigações do Tesouro nos seus balanços em liquidez imediata, facilitando assim a sua gestão de tesouraria durante este período de menor atividade”, lê-se numa nota divulgada hoje em Luanda.

“O Banco Nacional de Angola disponibiliza uma linha para a compra de Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis a pequenas e médias empresas”, explica-se no Instrutivo, assinado pelo governador do BNA, José de Lima Massano.

O objetivo é permitir que as empresas que tinha comprado obrigações do tesouro possam vendê-las de imediato, transformando assim os títulos em dinheiro para fazer face às dificuldades financeiras trazidas pela pandemia da covid-19.

“O presente Instrutivo vigora pelo prazo de 90 dias da data da sua publicação ou até esgotado o limite da linha para a compra de Obrigações do Tesouro, podendo o prazo ser prorrogado”, adianta-se ainda no documento.

A iniciativa agora concretizada tinha sido anunciada a 27 de março, com a criação de uma facilidade global de até 100 mil milhões de kwanzas (168,1 milhões de euros), disponibilizada pelo Banco Nacional de Angola, para que empresas fora da área financeira que tenham no seu ativo títulos públicos pudessem descontá-los junto dos bancos comerciais.

“Numa facilidade até 100 mil milhões de kwanzas concedidas pelo Banco Nacional de Angola, algumas empresas, quer por opção de investimento, no passado, quer por regularização de dívidas públicas, por exemplo, receberam títulos públicos e poderão nesta altura ter o interesse em desfazer-se de modo competitivo desses títulos públicos para terem acesso à liquidez”, explicou então o governador do BNA.

José de Lima Massano frisou que a decisão permite que “esses títulos possam ser descontados e estas empresas possam ter acesso à liquidez sem que necessariamente tenham de fazer descontos acentuados dos títulos que possuam em carteira”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 250 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África subiu para 487 nas últimas horas num universo de mais de 10.075 casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

Segundo o boletim do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (CDC África), nas últimas 24 horas o número de mortes registadas subiu de 414 para 487, com as infeções confirmadas a passarem de 9.189 para 10.075.

O CDC África registou também 913 doentes recuperados após a infeção.

Angola, que já contabiliza duas mortes, registou desde segunda-feira mais dois casos confirmados da doença, somando agora 16.

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