A agência norte-americana para a ajuda ao desenvolvimento (USAID) já apoiou a resposta de Moçambique à covid-19 com mais de seis milhões de euros, incluindo financiamento à formação de trabalhadores de saúde, disse hoje um responsável deste organismo.

Kenneth Staley, líder do grupo de trabalho da USAID para a covid-19, disse hoje, em resposta à Lusa, que a agência norte-americana contribuiu já com sete milhões de dólares (6,2 milhões de euros) para o combate e prevenção da covid-19 em Moçambique, mais do dobro dos 2,8 milhões (2,5 milhões de euros) de contributos que foram anunciados em inícios de abril.

As declarações foram feitas hoje numa conferência promovida pelo centro de comunicações para África do Departamento de Estado.

“Essa assistência foca-se na comunicação do risco, envolvimento da comunidade, e mensagens de prevenção nos meios de comunicação”, afirmou Kenneth Staley, acrescentando que a agência está também a monitorizar o sistema de água e saneamento, como o controlo de infeções nas infraestruturas de saúde em Moçambique.

“Estamos também a ajudar a financiar a formação e treino de trabalhadores de saúde na gestão de casos e assegurar que as infraestruturas de saúde estão preparadas para o surto”, declarou o responsável.

Kenneth Staley, também coordenador da resposta global à malária, acrescentou que a USAID continua a salvaguardar a prestação de serviços de tratamento à malária em Moçambique e em todo o continente, com uma adaptação no tratamento da febre, “tentando encontrar novas formas para tratar de maneira eficaz e segura nas condições atuais”.

A USAID continua a dar auxílio ao Governo moçambicano na resposta à insurgência em Cabo Delgado (norte do país), alvo de ataques nos últimos anos, disse na mesma conferência o coordenador do gabinete para África, Christopher Runyan.

A programação norte-americana do auxílio no combate ao extremismo em Cabo Delgado inclui “lições aprendidas” noutras partes do continente e constante contacto com o Governo moçambicano e outras partes interessadas para dar uma resposta nacional e local.

“As nossas contribuições para a resposta humanitária estão lá e continuamos atentos para assegurar que Moçambique permanece um parceiro estável e importante para o desenvolvimento económico no continente”, disse Christopher Runyan.

“Como noutros casos em todo o continente, os países de língua portuguesa são uma parte crítica dos esforços para ajudar a população africana”, comentou Kenneth Stanley.

Segundo a informação divulgada pela administração norte-americana em 03 de abril, Moçambique receberia 2,8 milhões de dólares de um envelope financeiro inicial de 274 milhões de dólares (254 milhões de euros) destinado a ajuda médica e humanitária no âmbito da luta contra a pandemia de covid-19 em África.

O valor reservado a Moçambique valor somava-se aos 3,8 mil milhões de dólares (3,5 mil milhões de euros) em ajuda médica e 6 mil milhões de dólares (5,5 mil milhões de euros) em apoio ao desenvolvimento gastos no país nas últimas duas décadas.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 385 mil mortos e infetou mais de 6,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Moçambique regista 316 casos de infeção e dois mortos.

Em África, há 4.606 mortos confirmados em mais de 162 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

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