O primeiro-ministro manifestou-se hoje confiante que não haverá um “ponto de rutura” nos serviços de saúde portugueses provocado por um pico de casos de covid-19 e que considerou que não é previsível que venham a faltar meios.

Esta posição foi transmitida por António Costa em entrevista à TVI, que foi conduzida pelos jornalistas José Alberto Carvalho e Miguel Sousa Tavares, depois de interrogado sobre em que momento o sistema de saúde português poderá atingir um ponto de rutura.

“Creio que não vamos atingir. É para isso que estamos a trabalhar. Pelos estudos que temos, no pior dos cenários, nunca vamos perder o controlo da situação”, declarou o líder do executivo.

Logo no início da entrevista, o primeiro-ministro foi questionado sobre os meios que existem para combater a covid-19.

“A questão é pertinente, Não é previsível que venha a faltar o que quer que seja”, respondeu António Costa, adiantando que, em termos de camas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “há capacidade para acolher aquilo que é estimável face ao crescimento progressivo que ainda se vai ter de doentes ao longo desta pandemia”.

Neste ponto, o primeiro-ministro referiu também que há uma reserva de camas que poderá ser usada no setor da saúde privada, libertando espaço no SNS, e que as Forças Armadas disponibilizam duas mil camas de reserva.

“Estamos neste momento a realizar obras para permitir a reabertura do antigo Hospital Militar de Doenças Infetocontagiosas na Ajuda, que abrirá na segunda-feira já com um piso, e as obras continuarão para os outros pisos. Portanto, estamos a ganhar capacidade”, defendeu.

Já sobre a aquisição de material de proteção para o corpo clínico, o primeiro-ministro falou na existência de “uma reserva estratégica que tem vindo a ser disponibilizada”.

“E há uma compra gigantesca de material que está a ocorrer para reforçar os recursos existentes, desde logo para os profissionais de saúde”, disse.

Interrogado sobre a capacidade do sistema de saúde para a realização de testes de diagnóstico do coronavírus, o primeiro-ministro sustentou que há condições para se fazerem 10 mil testes no serviço público e 20 mil no setor privado.

“Estão neste momento encomendados 280 mil testes rápidos e que chegarão ao longo dos próximos dias. Até ao próximo dia 29, chegarão concretamente 80 mil”, especificou.

Neste ponto, António Costa adiantou que uma “outra modalidade de testes rápidos está a ser desenvolvida por uma empresa portuguesa, que começará a fazer testes no Hospital da Cruz Vermelha no final desta semana”.

Na entrevista, o primeiro-ministro defendeu ainda que “houve já um reforço de mil médicos e de 1800 enfermeiros, assim como um reforço muito grande da capacidade de resposta da linha Saúde 24, diminuindo a pressão sobre o conjunto do sistema”.

“No conjunto do sistema, temos 1142 ventiladores e neste momento há 47 pessoas nas unidades de cuidados intensivos. Portanto, a margem ainda é muito significativa. Na segunda-feira fizemos o pagamento de 10 milhões de dólares para a aquisição de 500 ventiladores na China, que chegarão progressivamente até ao dia 14 de abril”, apontou António Costa.

O primeiro-ministro falou ainda em donativos, entre os quais um de uma “investidora chinesa” com uma doação de 78 ventiladores que hoje foram entregues na Embaixada de Portugal em Pequim.

“Há um movimento muito grande”, acrescentou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 341 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 15.100 morreram.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, há 23 mortes e 2.060 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral de Saúde.

O país encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira e até às 23:59 de 02 de abril.

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