A Cruz Vermelha de Cabo Verde disponibilizou hoje às autoridades de saúde cabo-verdianas um espaço para instalar 32 camas para eventuais doentes com covid-19 na cidade da Praia, mas há já outras instalações em perspetiva.

“É um ótimo espaço, que oferece a possibilidade de 32 camas. Só não tem ainda as camas e outros equipamentos, mas conforta-nos saber que poderemos ter uma alternativa, em caso de termos necessidade de espaços”, explicou o diretor nacional de Saúde, Artur Correia, depois de visitar as instalações cedidas pela instituição, nos arredores do centro da Praia, ilha de Santiago.

Cabo Verde conta com sete casos confirmados de covid-19, provocada por um novo coronavírus, entre as ilhas da Boa Vista (4), de Santiago (2) e São Vicente (1).

A Cruz Vermelha de Cabo Verde, através do presidente da instituição, Arlindo Carvalho, entregou hoje parte das suas instalações na capital, adaptadas para servir de enfermaria e atender possíveis pacientes em regime de quarentena, isolamento, internamentos ou outro fim que as estruturas de saúde entenderem e “caso se mostre necessário”.

Além disso, a instituição cedeu espaços às autoridades de saúde nas ilhas de São Nicolau e do Maio, bem como na Assomada, na ilha de Santiago.

O diretor nacional de Saúde insiste que esta será uma “batalha longa” para Cabo Verde e que é preciso o país preparar-se para o que ainda tem pela frente na pandemia de covid-19, primeiro apostando na prevenção, mas também preparando espaços alternativos: “Este da Cruz Vermelha e outros que podemos arranjar e que já perspetivamos, caso a situação se complicar. Espero bem que não”.

A Cruz Vermelha de Cabo Verde lançou ainda hoje um programa de angariação de fundos para auxiliar os mais vulneráveis nesta fase da pandemia e outro de assistência psicológica ‘online’ à população.

“A componente psicológica é fundamental”, destacou Artur Correia, revelando que também uma clínica privada cabo-verdiana já contactou as autoridades manifestando disponibilidade para disponibilizar apoio psicológico à população, em isolamento em todo o país.

Cabo Verde cumpre hoje o décimo dia, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas e para o exterior suspensas.

A Cruz Vermelha de Cabo Verde já tinha anunciado em março que os seus cerca de 3.000 voluntários e socorristas tinham sido colocados à disponibilidade das autoridades de saúde, para atividades de prevenção e no apoio a eventuais casos de covid-19 no arquipélago.

“A nossa intervenção vai ser, em primeiro lugar, auxiliando as estruturas de saúde e das câmaras municipais. Em segundo lugar vamos intervir diretamente, nas escolas, nos centros de aglomeração de pessoas, nos espaços de circulação, nos portos e nos aeroportos”, explicou anteriormente o presidente da Cruz Vermelha de Cabo Verde, Arlindo Carvalho.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,3 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 75 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 290 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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