“À semelhança do que acontece com todos, estamos assustados, mas não quer dizer que abdiquemos da posição de médicos. Vamos continuar a trabalhar, a estar na linha de frente”, referiu Gilberto Manhiça, prometendo “profissionalismo, zelo, dedicação e ética”.

O dirigente falava hoje durante a conferência de imprensa diária do Ministério da Saúde sobre a pandemia de covid-19, a propósito da celebração do Dia do Médico moçambicano. 

Gilberto Manhiça aludiu à realidade que diferencia o país de outros, por ter um médico para cerca de 18.000 habitantes “e não um por cada 1.000 como recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”

“Significa que estamos a fazer um esforço muito mais elevado do que qualquer outro profissional em condições ótimas”, realçou.

“Isso não faz do médico moçambicano um médico inferior”, pelo contrário, disse, sublinhado as qualidades de cada profissional do país “que sempre se sacrificou e sempre quis levar até ao último esforço o desejo de cumprir com as suas obrigações”.

Gilberto Manhiça mostrou-se preocupado com a infeção da classe médica.

Considerou importante que, “dentro das normas da OMS, se cumpra com todos os procedimentos que quebrem a cadeia de transmissão no interior das instituições que fornecem cuidados médicos”.

“É importante que os colegas tenham a devida proteção”, mas reconheceu que fazer chegar o equipamento a todos não será tarefa fácil.

“Vai requerer algum tempo para todos termos essa proteção e enquanto isso não acontecer não vale a pena termos riscos de exposição fútil”, recomendou.

Gilberto Manhiça deixou um apelo à população, referindo que a doença respiratória covid-19 não deve ser combatida “pelos profissionais de saúde apenas, é uma pandemia em que cada um de nos é um soldado, cada um tem de cumprir a sua parte”.

O ministro da Saúde de Moçambique, Armindo Tiago, anunciou hoje um novo caso da doença respiratória covid-19 no país, elevando o total para oito.

O governante fez um novo apelo à prevenção, com reforço de medidas de higiene pessoal e coletiva, sobretudo com lavagem das mãos.

Em Moçambique recomenda-se a suspensão de eventos com mais de 50 pessoas, há quarentena obrigatória para viajantes e isolamento domiciliário para casos suspeitos ou quem com eles tenha contactado.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, apelou ainda, há uma semana, para implementação de medidas de prevenção em todas as instituições.

As escolas fecharam na segunda-feira e, no mesmo dia, foram suspensos os vistos de entrada no país.

Na sexta-feira, o Conselho de Estado recomendou a Nyusi que declare o estado de emergência, o que permitirá implementar medidas mais severas de prevenção, à semelhança do que acontece na vizinha África do Sul, que iniciou na sexta-feira um recolher obrigatório de 21 dias.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 600.000 pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 28.000 e 129.100 são considerados curados.

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